A medida entrará em vigor a partir de 1 de março, de acordo com uma proposta da FAGAR, empresa que gere o serviço, aprovada pela Câmara Municipal.
A proposta esclarece que a atualização só entrará em vigor "após deliberação municipal e apreciação da ERSAR [Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos], a 1 de março de 2026", mantendo-se o tarifário de 2025 em vigor até essa data.
"Assim, para dar cumprimento à recomendação tarifária da ERSAR, o tarifário de 2026, que apenas afetará o utilizador ao longo de 10 meses, foi sujeito a uma atualização de 2,14%, em vez dos 1,8% que normalmente seriam aplicados ao longo de 12 meses", lê-se na proposta aprovada pela Câmara de Faro.
A aprovação do aumento da tarifa da água foi criticada pelo PSD de Faro, que rejeitou o argumento invocado pela maioria PS de que o aumento visava colmatar as "dificuldades financeiras" da FAGAR e evitar "eventuais prejuízos financeiros" pelo facto de os preços não terem sido reajustados.
"É importante sublinhar que Faro, a par de Tavira e Olhão, tem dos preços da água mais elevados da região algarvia. Em contrapartida, em 2023, o Partido Socialista opôs-se ao aumento proposto pelo anterior executivo [liderado pelo PSD], classificando-o como injustificável, grave e um 'saque aos farenses', e salientando que a ERSAR - entidade reguladora - tinha recomendado a redução do preço por o considerar acima do necessário para cobrir os custos de funcionamento da empresa", argumentou o PSD em comunicado.
O PSD criticou a "incoerência" do PS por "mudar radicalmente de posição" e "desonrar a sua posição anterior" e considerou que, "em vez de aumentar o preço da água, deveriam ser implementadas medidas para melhorar a eficiência da empresa" e "reduzir perdas e recuperar condutas obsoletas", beneficiando do "financiamento a 100% a fundo perdido" disponível para esta área no Algarve. "Esta é uma oportunidade que não pode ser desperdiçada. Aumentar os preços sem mais demoras não é saber nem fazer", acrescentou o PSD.
A agência Lusa solicitou ao executivo municipal, de maioria socialista, uma reação às críticas do PSD, tendo o presidente da Câmara de Faro, António Miguel Pina, respondido que "a interpretação que o PSD agora faz constitui, na prática, uma inversão da realidade".
"Hoje, a lei e as orientações regulamentares estão a ser cumpridas; antes, a oportunidade foi aproveitada em benefício dos cidadãos e em seu prejuízo; ou seja, em 2023, o anterior executivo do PSDB aumentou as taxas em mais de 300% em alguns casos, muito acima do que era recomendado", afirmou o autarca.
António Miguel Pina considerou que as contas são "simples, incomparáveis e merecedoras de honestidade intelectual" e demonstram que, tendo em conta os 12 meses do ano, "em 2026, o reajuste é de apenas 1,8% - abaixo da inflação registada em 2025, que foi de 2,3%".
O autarca classificou a posição do PSD como "teatro político" e garantiu que a maioria PS vai "ignorar o ruído" e "continuar a trabalhar com rigor e serenidade para projetar as contas do município com transparência, reforçar as soluções estruturais que protegem o poder de compra das famílias e garantir a sustentabilidade dos serviços públicos essenciais".







