Realizado na Fundação António Cupertino de Miranda, o evento reuniu centenas de profissionais de todo o setor para discutir os desafios e oportunidades que moldam o futuro do imobiliário em Portugal.
A conferência centrou-se em temas-chave que atualmente influenciam o mercado, incluindo o impacto das políticas de habitação pública, a evolução do investimento nacional e internacional e o papel crescente da tecnologia na atividade imobiliária. Estes temas refletem um setor que se está a tornar mais complexo, mais competitivo e cada vez mais influenciado por tendências globais.
Uma das conclusões centrais do evento é que a própria mediação imobiliária está a evoluir. O papel do agente já não se limita a facilitar transações. Em vez disso, espera-se que os profissionais interpretem um mercado em rápida mudança, compreendam clientes cada vez mais informados e forneçam orientação estratégica num ambiente mais exigente. Esta mudança está a ser impulsionada não só por fatores económicos, mas também por alterações no comportamento e nas expectativas dos consumidores.
A digitalização e a inteligência artificial estiveram entre os temas mais proeminentes discutidos. Em vez de serem vistas como uma disrupção, estas tecnologias são cada vez mais vistas como ferramentas essenciais que podem aumentar a eficiência, melhorar a comunicação e apoiar uma melhor tomada de decisões. No entanto, as discussões também destacaram que ainda há trabalho a fazer para integrar eficazmente estas ferramentas nas operações diárias e garantir que os profissionais estejam preparados para as utilizar.
A atratividade de Portugal como destino de investimento foi outro ponto central de debate. Embora o país continue a atrair interesse de investidores internacionais, persistem desafios estruturais, especialmente no que diz respeito à oferta de habitação e à acessibilidade. O desequilíbrio entre a procura e a oferta continua a pressionar os preços, tornando o acesso à habitação uma questão central nas discussões públicas e da indústria. Neste contexto, os profissionais do setor imobiliário são vistos como desempenhando um papel crucial não só nas transações, mas também na contribuição para soluções de mercado mais amplas.
Para além da agenda formal, o evento também destacou a importância do networking e da colaboração dentro do setor. Discussões informais e trocas de ideias proporcionaram oportunidades para novas parcerias e perspetivas, reforçando a importância do diálogo num mercado em rápida evolução.
A conferência também sublinhou os esforços da APEMIP para fortalecer o setor, promover padrões profissionais e criar valor para os seus membros. Iniciativas como este evento visam aproximar os profissionais ao mesmo tempo que promovem uma indústria mais informada e preparada.
Olhando para o futuro, a conversa continuará na próxima conferência agendada para Vilamoura a 28 de maio, onde o foco se deslocará para as dinâmicas e desafios específicos da região sul de Portugal. Esta série contínua de eventos reflete um compromisso mais amplo em abordar as diferenças regionais, mantendo ao mesmo tempo uma perspetiva nacional sobre a evolução do setor.
No geral, a conferência do Porto confirmou uma tendência clara: a mediação imobiliária em Portugal está a mudar. À medida que o mercado continua a evoluir, a capacidade de adaptação, inovação e resposta a novas exigências será essencial para os profissionais de todo o setor.






