Em declarações à Lusa, Paulo Rangel confirmou que os dois activistas, ambos médicos, Maria Beatriz Bartilotti Matos e Gonçalo Reis Dias, viajaram para Istambul, na Turquia, ao início da tarde de 21 de maio, de onde partirão a 22 de maio para regressar a Portugal.

"Estão bem, embora obviamente bastante afectados pela situação vivida nos últimos dias, nomeadamente ontem [quarta-feira], mas estão de boa saúde", disse o chefe da diplomacia portuguesa.

Impedidos de comunicar

Rangel referiu que o embaixador e o cônsul português em Telavive tentaram falar com cidadãos portugueses no exterior do centro de detenção em Israel, mas foram impedidos pelas autoridades israelitas, o que motivou um protesto de Portugal.

"As autoridades israelitas alegaram que a necessidade de acelerar a deportação não permitia esse contacto. Nós protestámos", disse.

Mais tarde, no aeroporto, o cônsul português conseguiu falar com os dois activistas.

Famílias contactadas

O ministro disse que as famílias dos dois cidadãos já foram contactadas e que a embaixadora de Portugal na Turquia e o seu adjunto "vão estar à espera dos portugueses em Istambul e vão acompanhá-los até amanhã [22 de maio], que embarcam de manhã muito cedo para Portugal".

"O Governo está a acompanhar tudo isto de perto", afirmou Paulo Rangel.

Contra a detenção

No dia 18 de maio, o ministro dos Negócios Estrangeiros anunciou à Lusa que tinha convocado o embaixador de Israel em Lisboa para protestar contra a detenção dos activistas, "em violação do direito internacional", por ter ocorrido em águas internacionais.

As Forças Armadas israelitas interceptaram, entre 18 e 19 de maio, em águas internacionais, os cerca de 50 barcos da flotilha humanitária, que tentavam chegar à Faixa de Gaza com cerca de 430 activistas a bordo.

As autoridades israelitas anunciaram que os activistas começaram a ser deportados a 21 de maio.

Esta detenção está a ser marcada por imagens polémicas do ministro israelita da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, a humilhar dezenas de activistas, o que motivou protestos de várias capitais europeias.