«O recente relatório da Comissão Técnica Independente sobre Incêndios de 2025 afirma que o problema reside no facto de termos muitas ignições, muitos incêndios que têm origem na responsabilidade humana, seja por intenção ou por negligência. E o nosso grande objetivo e desafio é, em primeiro lugar, que não haja focos de incêndio e, em segundo lugar, que consigamos manter e melhorar o combate inicial, cuja taxa de sucesso é atualmente de 93 a 94%», afirmou Rui Rocha à agência noticiosa Lusa.

O responsável falava no final da reunião de análise do incêndio que deflagrou no Rochoso, no concelho da Guarda, a 27 de julho, e que se alastrou aos concelhos de Almeida, Pinhel e Sabugal.

Senso de responsabilidade

O Secretário de Estado da Proteção Civil apelou também ao «sentido de responsabilidade» dos cidadãos, «especialmente nestes dias mais críticos, para que se tenha o máximo cuidado».

«É também necessário estar atento e comunicar às autoridades quando se detetar qualquer movimento suspeito, porque reduzir os focos de incêndio é, de facto, o grande desafio, bem como manter e melhorar o sucesso do ataque inicial.»

Esse incêndio rural foi controlado na madrugada do dia 29 e estima-se que tenha consumido cerca de 5 000 hectares de matagal, pastagens e terrenos agrícolas.

A evolução das chamas levou também ao encerramento da autoestrada A25 e da Estrada Nacional (EN) 16.

Uma semana depois, a proteção civil, os bombeiros, os presidentes de câmara e o Secretário de Estado da Proteção Civil analisaram o desenrolar do combate às chamas, que mobilizou mais de 700 efetivos e onze meios aéreos.

«Foi aqui afirmado e explicado, a nível técnico e operacional, que as condições meteorológicas foram críticas em determinados momentos para que o combate ao incêndio tivesse tido um resultado mais favorável do que aquele que foi alcançado», acrescentou.

Críticas das autoridades locais

Confrontado com críticas das autoridades locais, em particular do presidente da Câmara da Guarda, Rui Rocha apelou para que «todos tenham o mesmo nível de informação, para que possam comunicar e também compreender o que está a ser feito».

«O que reiterei hoje, mais uma vez, é a importância de as autoridades locais acompanharem estas operações, porque talvez, se forem dadas explicações no momento certo, algumas das críticas possam ser atenuadas ou mesmo compreendidas.»

Segundo o responsável governamental, «nos momentos de maior angústia, quando se está confrontado com muitas coisas, com muita informação, tem de haver a capacidade de fazer essa avaliação, com essa racionalidade, e compreender os aspetos operacionais».

«Isto sem prejuízo, e é por isso que estou aqui, para assinalar humildemente que há um ou dois aspetos que poderiam ser melhorados. Portanto, esse é o objetivo desta reunião: ouvir aqueles que estão, em primeira mão, a dar o seu melhor e a lidar com a realidade [dos incêndios].»