A presidente da sociedade, a cardiologista Cristina Gavina, pretende que as pessoas possam fazer exames à pressão arterial, ao colesterol e à glicemia nos centros de saúde ou nas farmácias. O objetivo é detetar sinais de alerta antes de alguém sofrer um ataque cardíaco ou um acidente vascular cerebral.

Conforme noticiou a RTP, os cardiologistas pretendem que estes exames se tornem um requisito de rotina. Trata-se ainda de uma proposta, não de uma nova regra já em vigor.

Há uma razão para se ter em conta mais do que um parâmetro. A pressão arterial, o colesterol e a glicemia revelam, cada um, apenas uma parte do quadro, e uma pessoa pode apresentar valores elevados sem se sentir mal. Descobrir isso mais cedo dá-lhe a oportunidade de discutir o que isso significa com um profissional de saúde, em vez de descobrir um problema só depois de um evento grave.

A proposta surge no momento em que Portugal celebra o Dia Mundial do Coração, na terça-feira, 29 de setembro. As doenças cardiovasculares causam cerca de 30 000 mortes por ano no país. Para a Sociedade de Cardiologia, esse número torna a prevenção um tema tão importante quanto o tratamento que as pessoas recebem quando adoecem.

O apelo de Portugal surge também num momento em que os exames cardíacos estão a ser debatidos em toda a Europa. Numa reportagem da RTP, a Comissão Europeia propôs exames de saúde cardiovascular mais regulares, incluindo medições da pressão arterial, do colesterol e da glicemia. A sua proposta sugere exames pelo menos de cinco em cinco anos para adultos com idades compreendidas entre os 35 e os 64 anos, com acompanhamento mais frequente nos casos em que o risco é mais elevado. Trata-se de uma proposta europeia, distinta do apelo dos cardiologistas portugueses.

Ambas chamam a atenção para as pessoas que se podem sentir perfeitamente saudáveis. Um exame numa farmácia não substituiria a consulta com um médico. Poderia, no entanto, facilitar a constatação de que um resultado necessita de uma avaliação mais aprofundada.

Gavina e a sociedade pretendem que estas medições se tornem algo em que as pessoas pensem mais cedo na vida, enquanto ainda há oportunidade de compreender e abordar o seu risco.

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