“Juro que não conheço os números do INE”, disse António Leitão Amaro durante uma audição conjunta das comissões parlamentares de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias e Reforma do Estado e Governo Local, dizendo esperar que os números totais da população residente em Portugal, incluindo nacionais e estrangeiros, sejam publicados no final de junho.
“Os números que o INE revelará serão necessariamente diferentes dos números que a AIMA revelou, e essas diferenças serão particularmente significativas durante esse período” de maior afluxo de imigrantes.
Atrasos nosdados Os atrasos
na divulgação dos dados do INE (Instituto Nacional de Estatística) estão relacionados a mudanças nos métodos de coleta de informações, que, seguindo os padrões europeus, usarão menos dados de amostragem e pesquisas e mais do cruzamento com outras informações administrativas, como dados de escolas, previdência social ou impostos, explicou
o funcionário.Dados diferentes
Em abril do ano passado, a AIMA (Associação de Estrangeiros e Administradores de Portugal) publicou um relatório provisório afirmando que, em 31 de dezembro de 2024, Portugal registrou aproximadamente 1,6 milhão de cidadãos estrangeiros com autorizações/autorizações de residência válidas, adicionando mais de 1 milhão
de pessoas que não estavam registradas.No entanto, em junho de 2025, o INE fixou a população residente em Portugal em 31 de dezembro de 2024 em aproximadamente 10,75 milhões de pessoas, um aumento de cerca de 110.000 pessoas em relação à população residente no final de 2023, muito abaixo do que é contabilizado pela AIMA apenas no que diz respeito aos estrangeiros.
“Aparentemente, o INE não incorporou informação administrativa detida pela AIMA, pois não foi transmitida ao INE em tempo hábil nem com detalhes informativos adequados”, diz o pedido da Iniciativa Liberal (IL), que motivou a presença de Leitão Amaro.
Na justificação do pedido, o deputado liberal Rui Rocha criticou o “apagão dos dados do INE relativos à população existente em Portugal, que deveria ter sido publicado em 2024”, considerando que um grande aumento nos números terá consequências para as políticas públicas.
“É fundamental que saibamos qual é a população existente no território português, porque não é indiferente saber quantas pessoas temos em Portugal, para que as políticas públicas de educação, saúde e integração estejam alinhadas com dados bem medidos”, disse, salientando que essas mudanças podem exigir uma revisão dos dados.
“Mesmo que o PIB esteja crescendo um pouco em volume, a distribuição desse PIB não é indiferente. Podemos estar crescendo em volume, mas ficando para trás na distribuição da riqueza”, disse Rui Rocha
.Em resposta, Leitão Amaro disse que o INE (Instituto Nacional de Estatística) não atualizou os números porque “não havia confiabilidade” dos dados, e era necessário incorporar a atualização do AIMA na base de dados.
Dados cruzados Os dados
do AIMA enviados ao INE serão cruzados com outros dados administrativos dos serviços públicos e, em seguida, as entradas de cada estrangeiro serão inseridas no ano correspondente, atualizando as
séries estatísticas anteriores.Será necessário “imputar microdados pelo tempo que está atrasado”, com verificação de residência em Portugal por pelo menos 12 meses.
A AIMA “produz uma estatística de autorizações de residência válidas” em Portugal, que pode incluir pessoas que têm uma autorização, mas não residem no país ou residem lá há menos de 12 meses.
As “realidades são diferentes e os números sempre serão diferentes”, resumiu o ministro.








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