Lisboa também registou uma redução de MDMA/ecstasy, enquanto Almada registou um aumento destas drogas, de acordo com um estudo publicado.
Os dados relativos a Lisboa, Porto e Almada constam do mais recente estudo da Agência da União Europeia para a Justiça e Dados Criminais(Europol).
O estudo engloba análises de águas residuais provenientes de Estações de Tratamento de Águas Residuais de 115 cidades europeias em 25 países (23 da União Europeia, mais a Turquia e a Noruega).
O objetivo é estudar os padrões de consumo de drogas dos seus habitantes.
Caso de Portugal
Relativamente a Portugal, o estudo "Wastewater analysis and Drugs - A European multi-city study" revela uma diminuição do consumo de drogas ilícitas em Lisboa e no Porto entre 2024 e 2025, sendo de destacar a redução do consumo de cocaína e de MDMA/Ecstasy: em Lisboa, de 81,7 para 60,5 mg por 1.000 pessoas/dia, quando em análises anteriores se encontrava entre as cidades europeias com maior consumo.
Mais a Norte
No Porto, o padrão é semelhante, embora com um ligeiro aumento da presença de cetamina [um potente anestésico que provoca um estado de transe], mas com valores muito inferiores aos das restantes cidades participantes no estudo (de 0,9 para 4,3 mg/1000 pessoas/dia).
Níveis abaixo da média
Ao contrário de estudos de anos anteriores, ambas as cidades apresentam atualmente níveis de cocaína abaixo da média europeia, com uma diminuição nos dados mais recentes: em Lisboa de 625,1 para 522,6 mg/1000 pessoas/dia e no Porto de 415,6 para 254,4 mg/1000 pessoas/dia.
Em contrapartida, Almada (distrito de Setúbal) registou um aumento do consumo de cocaína (de 358,6% para 446,3%), de anfetaminas (de 5,3% para 10,6%) e de MDMA (de 17,4% para 30,2%), ultrapassando mesmo o Porto em todos estes indicadores, segundo o documento da agência sediada em Lisboa, a que a agência Lusa teve acesso.
Diminuição do consumo de cannabis
Relativamente à cannabis, a droga mais consumida em toda a União Europeia, as três cidades portuguesas apresentaram resultados convergentes face ao ano anterior, com uma diminuição do consumo no Porto (de 53,3 para 44,6 mg/1.000 pessoas/dia), em Lisboa (de 150,8 para 125,0 mg/1.000 pessoas/dia) e Almada (de 119,1 para 80,0 mg/1.000 pessoas/dia).
Relativamente à anfetamina e metanfetamina (estimulantes que aumentam a energia, mas com riscos graves), as cidades portuguesas não apresentam valores significativos, refere o estudo.
Estudo europeu
O estudo europeu analisou amostras diárias de águas residuais durante um período de uma semana, entre março e maio de 2025. As águas residuais de cerca de 72 milhões de pessoas foram testadas para detetar vestígios de cinco drogas estimulantes (anfetamina, cocaína, metanfetamina, MDMA e cetamina) e de marijuana.
A nível europeu, os resultados deste ano revelam um declínio acentuado dos resíduos de MDMA nas cidades participantes, juntamente com um aumento das detecções de cetamina e cocaína.







