"Como forma de também agradecer e reconhecer os dadores de sangue e as pessoas que se disponibilizam para o fazer, a Iniciativa Liberal apresentou uma proposta precisamente para expressar esse agradecimento. Uma pessoa que doe sangue duas vezes por ano tem direito a um dia de férias extra; se doar mais de três vezes, tem direito a dois dias de férias", explicou a presidente da IL, Mariana Leitão, em declarações aos jornalistas.
A dirigente liberal falava à imprensa depois de ter doado sangue no Centro de Sangue e Transplantação de Lisboa, com a deputada Joana Cordeiro e alguns outros membros da delegação.
Reconhecer a importância das dádivas
O objetivo da proposta é "criar reconhecimento" e "sensibilizar para a importância da dádiva de sangue", aumentando assim o número de dadores diários necessários.
Quando entrou no centro, Mariana Leitão já tinha uma pequena ficha de registo com informações gerais e alguns dados que tinha preenchido sobre a sua saúde, bem como comportamentos e viagens recentes.
Depois de passar pelo balcão de registo de dadores, dirigiu-se para a área de triagem, onde aguardou alguns minutos até chegar à área de doação. O processo durou cerca de 15 minutos. No final, Mariana Leitão, que disse não ser nova nesta prática, contou a experiência para quem pudesse ter receio.
"Qualquer pessoa pode vir aqui, e tenho a certeza que em 15, 20 minutos, entre registo, dar sangue, estão despachados, e depois até recebem uns lanches e sumos para recuperar", respondeu, acrescentando que "a agulha não é assim tão grande" e que o gesto "salva vidas".
Projectos diferentes
Quando questionada sobre a razão pela qual o IL se absteve no passado em relação a propostas semelhantes do BE e do PAN, Mariana Leitão respondeu que se trata de projectos diferentes. Segundo a presidente liberal, as iniciativas destes partidos tinham como objetivo despedir o trabalhador no dia da dádiva.
"Optámos por outra solução porque achamos que faz mais sentido, porque se toda a gente numa empresa vai doar sangue no mesmo dia, isso cria certamente um problema adicional às empresas", argumentou.
Cumprimento das regras aplicáveis
A proposta da IL estabelece que a marcação e o gozo de dias de férias adicionais "obedecem às normas laborais aplicáveis e dependem da apresentação de declaração comprovativa emitida pela entidade pública responsável".
Necessidade diária de sangue
Em declarações aos jornalistas, a presidente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), Maria Antónia Escoval, sublinhou que Portugal precisa diariamente de 1.100 unidades de sangue e componentes sanguíneos nos hospitais.
As mulheres podem doar sangue de 4 em 4 meses e os homens de 3 em 3, sendo que os componentes sanguíneos têm prazos de validade.
"Por isso, precisamos de dádivas regulares e contínuas ao longo do tempo", alertou.
De acordo com a profissional, a dádiva de sangue no país está atualmente "estável", mas Maria Antónia Escoval incentivou os dadores regulares a dirigirem-se a um centro antes do período de férias de verão.
A dádiva de sangue é permitida dos 18 aos 70 anos, desde que a pessoa seja saudável.
O gesto, sublinhou a responsável, pode "objetivamente salvar três vidas".
"O IPST envia uma mensagem ao dador, por correio eletrónico, com os resultados das análises, e por SMS quando a unidade é distribuída a um hospital, o que é extraordinariamente tranquilizador", elogiou.








