O mais recente sinal vem do investimento direto estrangeiro. Estão neste momento em análise dezenas de projetos com um valor superior a 22 mil milhões de euros. Não são intenções vagas. São decisões em avaliação por empresas internacionais que olham para Portugal como destino de investimento. E isto, num contexto global instável, diz muito sobre a perceção externa do país.

Mais do que números, o que está em causa é confiança. Confiança na estabilidade política, na previsibilidade económica e na capacidade de execução. Portugal passou anos a construir esta reputação e começa agora a colher resultados. Quando investidores internacionais analisam mercados, procuram risco controlado e retorno sustentável. E, cada vez mais, Portugal entra nessa equação.

Os dados recentes reforçam essa ideia. Crescimento económico acima da média europeia, aumento das exportações e uma dinâmica industrial positiva mostram que o país não está parado. Está a evoluir. Pode não ser ao ritmo que muitos desejam, mas está claramente no caminho certo.

Há, no entanto, um ponto essencial que não pode ser ignorado. Este momento não é garantido. É uma oportunidade. E como todas as oportunidades, pode ser aproveitada ou desperdiçada.

O próprio Governo reconhece um dos maiores bloqueios ao crescimento: a burocracia. Durante anos, o Estado funcionou como um travão ao investimento, criando processos lentos, complexos e muitas vezes imprevisíveis. A promessa de uma reforma profunda do licenciamento, com redução de prazos e maior eficiência, é talvez uma das medidas mais importantes para transformar esta fase de interesse em investimento real.

Porque o investimento não depende apenas de boas intenções. Depende de execução. Depende de rapidez. Depende de um Estado que funcione como facilitador e não como obstáculo.

Outro fator crítico é a inovação. O crescimento sustentável não virá de trabalhar mais horas, mas de criar mais valor. E isso exige uma ligação mais forte entre empresas, universidades e tecnologia. Exige um país que consiga transformar conhecimento em economia real.

No fundo, Portugal está numa posição que há poucos anos parecia improvável. É visto como um país estável, atrativo e com potencial de crescimento. Mas essa perceção externa tem de ser acompanhada por uma mudança interna.

Menos ruído. Menos foco no que está mal. Mais atenção ao que está a acontecer.

Porque enquanto muitos continuam a discutir o passado, há investidores a apostar no futuro de Portugal.