Uma fonte da GNR em Vila Real confirmou à agência noticiosa Lusa que, esta manhã, foram chamados à escola primária do Douro, em Andrães, onde foi aberto um segundo portão, e as aulas decorrem normalmente.

Os militares irão agora apresentar uma queixa junto do Ministério Público para o informar do incidente.

No portão principal, que se encontrava trancado, foram afixadas folhas de papel branco com slogans como «Perante temperaturas extremas, exigimos orientações claras e atempadas por parte do ministério».

Falta de condições

A Lusa contactou Ana Teixeira, representante dos pais, que afirmou que se têm registado temperaturas superiores a 30 graus Celsius no interior das salas de aula daquela escola, onde há uma média de 20 alunos.

«É impossível as crianças estarem na escola; já houve até crianças que desmaiaram por causa do calor», afirmou esta mãe de uma menina de 8 anos.

Ana Teixeira recordou que, no final deste ano letivo, se verificaram dias e noites muito quentes.

«Temos temperaturas muito elevadas, muitos dias seguidos», sublinhou. Mesmo sabendo que a situação não será resolvida este ano, acrescentou, os responsáveis pedem uma «solução para o futuro».

Dificuldades quando as temperaturas sobem

A representante assegurou que «a escola tem condições muito boas e não há problemas no inverno».

«Mas não faz sentido manter um calendário escolar até tão tarde quando as escolas não têm condições para isso», afirmou.

Quando Elisa Castro chegou à escola esta manhã para deixar o seu filho de 10 anos, encontrou o edifício já aberto. No entanto, acredita que o protesto teve como objetivo chamar a atenção para o problema.

Esta mãe afirmou que «a escola está demasiado quente para as crianças».

Contactada pela Lusa, a Câmara Municipal de Vila Real afirmou que, em coordenação com os agrupamentos escolares, está a acompanhar de perto a situação nos estabelecimentos de ensino, nomeadamente na Escola Básica do Douro, decorrente das temperaturas excepcionalmente elevadas registadas nos últimos dias.

A Câmara Municipal esclareceu que a Escola do Douro dispõe, desde 2012, de um sistema de ar condicionado geotérmico, concebido para cumprir as condições e os requisitos técnicos em vigor na altura.

Comprometendo o trabalho do pessoal

No entanto, afirmou, «os episódios de calor extremo que se têm verificado colocam desafios adicionais ao funcionamento dos sistemas existentes».

«A situação já tinha sido identificada anteriormente e está a ser acompanhada pelos serviços municipais. Neste contexto, o município continuará a promover o diálogo com os diretores do agrupamento escolar e com as associações de pais e encarregados de educação, para partilhar as soluções que estão a ser consideradas», afirmou.

Ao mesmo tempo, acrescentou, os serviços técnicos municipais têm vindo a avaliar alternativas e potenciais investimentos de melhoria para ajudar o edifício a responder melhor aos episódios de calor extremo.

«Compreendemos a preocupação manifestada pelos pais e tutores e reconhecemos a importância de garantir condições adequadas de conforto, segurança e bem-estar para os alunos, professores e outros profissionais escolares», sublinhou ainda a autarquia.