No coração do Algarve, longe dos circuitos turísticos, o ecossistema estruturado da ARAfunciona diariamente para dar uma segunda oportunidade aos animais resgatados. As instalações em Loulé caracterizam-se pelo compromisso com os cuidados permanentes, sendo que os sinais de recuperação marcam o trabalho contínuo de reabilitação e adoção de cães e gatos. Na qualidade de gestor do abrigo e membro de uma equipa permanente de 12 profissionais a tempo inteiro, João Ferreira resume os princípios fundamentais do projeto, que teve início em 2018: «O nosso objetivo mantém-se firme: resgatar animais em situações de risco, reabilitá-los física e psicologicamente e encontrar famílias responsáveis para os adotar.»

A ARA acolhe cerca de 85 cães e 50 gatos, facilitando 25 a 30 adoções por mês. Todos os dias, o abrigo recebe cerca de 20 novos pedidos de ajuda.

Autor: Animal Rescue Algarve (ARA);

As pessoas são recebidas de braços abertos no Algarve

O abrigo recebe regularmente o apoio de cerca de 40 voluntários locais que dedicam o seu tempo livre a passear cães, a acalmar gatos ou a ajudar nas rotinas diárias. A ARA distingue-se ainda pelo seu modelo de voluntariado internacional. Através de uma parceria com a WorldPackers, são acolhidos até 21 voluntários estrangeiros por períodos que variam entre 2 semanas e 1 mês, trocando experiências culturais pelo cuidado diário dos animais.

Autor: Animal Rescue Algarve (ARA);

«Temos o ano inteiro lotado e as vagas são preenchidas com meses de antecedência», revela João Ferreira, orgulhoso da classificação em primeiro lugar da associação nas avaliações globais da plataforma. A presença destes residentes garante uma socialização intensiva com os animais. Duas vezes por semana, um treinador especializado em reforço positivo visita o espaço para ensinar os voluntários a ajudar os cães a superar traumas profundos, a vencer o medo do contacto humano e a passear com trela. Esta interação próxima gera laços tão profundos que muitos voluntários acabam por adotar os animais que ajudam, escolhendo frequentemente exemplares idosos, assustados ou com deficiência.

Autor: Animal Rescue Algarve (ARA);

Estrutura, caridade e educação

A génese desta abordagem profissionalizada remonta à visão do seu fundador, Sid Richardson, um cidadão inglês que vive em Portugal há 35 anos. Apaixonado pelo bem-estar animal, Richardson financiou e estruturou o projeto após observar as carências e a sobrepopulação que afetavam outras organizações. Determinado a construir um modelo baseado na autossustentabilidade, a associação desenvolveu fontes de receita alternativas face à escassez crónica de financiamento governamental.

As finanças da ARA dependem de doações privadas e de três lojas de caridade «Wooff» em Loulé e Almancil, geridas inteiramente por 70 voluntários. As lojas vendem artigos doados para financiar o abrigo e os cuidados veterinários. Além disso, qualquer pessoa pode apadrinhar um animal por 7,50 € por mês e receber atualizações regulares.

Autor: Animal Rescue Algarve (ARA);

Consciente de que o resgate é apenas o tratamento sintomático de um problema social mais vasto, a ARA investe fortemente na prevenção e na educação. A equipa realiza campanhas de sensibilização em mais de 24 escolas em todo o distrito do Algarve. «Queremos preparar a nova geração para compreender que os animais são membros da família e não objetos que possam ser mantidos acorrentados», argumenta João, acreditando no efeito multiplicador que as crianças têm nas unidades familiares.

Autor: Animal Rescue Algarve (ARA);

Reconhecendo que a esterilização é vital para o controlo populacional, a ARA esterilizou cerca de 2 000 gatos vadios no ano passado através da iniciativa «Vila dos Gatos», realizando entre 160 e 190 cirurgias por mês em colaboração com parceiros locais. Os seus esforços visam travar as práticas de abandono contínuas, provando que a organização e a compaixão podem mudar o destino da fauna urbana.

Para mais informações, visite o site da Animal Rescue Algarve ou siga-os no Instagram em
@animalrescuealgarve.