O memorial foi inaugurado na quinta-feira de manhã no Largo da Oliveirinha, junto à Calçada da Glória, local onde o histórico funicular descarrilou a 3 de setembro de 2025.

Dezasseis pessoas perderam a vida e outras 24 ficaram feridas no acidente. As vítimas eram originárias de 15 países diferentes e incluíam cinco cidadãos portugueses.

No centro do novo memorial encontra-se uma oliveira com 150 anos, rodeada por 16 blocos de calcário que representam cada uma das pessoas que perderam a vida. As pedras têm alturas diferentes e foram preparadas para que os nomes das vítimas possam ser gravados nelas.

Existe também iluminação e um local destinado a que os visitantes possam deixar flores.

A Câmara Municipal de Lisboa afirmou que o local foi concebido para ser um espaço onde as pessoas possam parar, recordar e refletir sobre o que aconteceu.

A decisão de criar um memorial permanente foi aprovada apenas cinco dias após o acidente.

Um ano sem todas as respostas

O aniversário surge num momento em que as questões em torno do desastre continuam por resolver.

A investigação sobre o descarrilamento ainda está em curso e o relatório final ainda não foi publicado.

Os processos de indemnização também continuam em curso. A seguradora da Carris, a Fidelidade, afirmou na semana passada que, até ao momento, cobriu ou concordou em reembolsar cerca de 2,3 milhões de euros em custos relacionados com o acidente, incluindo despesas funerárias, repatriações, tratamento médico, reabilitação e lucros cessantes.

Foram alcançados acordos com quatro famílias das vítimas mortais. Outros sete casos continuam a ser negociados, enquanto os restantes se encontram em diferentes fases do processo.

Na véspera do aniversário, um grupo de vítimas e familiares publicou uma carta aberta apelando a uma melhor comunicação, maior transparência e respostas mais claras sobre a responsabilidade pelo acidente.

Solicitaram também informações sobre a manutenção e as inspeções do funicular, um acesso mais fácil aos documentos e um processo mais rápido para a tramitação dos pedidos de indemnização.

Alguns afirmaram ter sido obrigados a contratar advogados simplesmente para obterem informações.

O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, esteve presente na cerimónia privada de quinta-feira, juntamente com familiares das vítimas e com o Patriarca de Lisboa, Rui Valério.

Numa declaração posterior, Moedas descreveu o aniversário como um dia muito triste para Lisboa e afirmou que a cidade tinha o dever de recordar aqueles que faleceram. Questionado sobre as críticas das famílias, afirmou que a Câmara Municipal esteve presente ao longo do último ano e continuará a estar.

Rui Valério abençoou a oliveira e, mais tarde, celebrou uma missa pelas vítimas na Igreja de São Roque.

O funicular da Glória, inaugurado em 1885 e que se tornou um dos meios de transporte mais emblemáticos de Lisboa, não voltou a funcionar desde o acidente.

A Carris está agora a planear um sistema de substituição, estando previsto o lançamento de um concurso internacional no início de 2027 e a entrada em serviço do novo Glória, atualmente prevista para 2029.

Para as famílias reunidas em Lisboa um ano após o descarrilamento, no entanto, o aniversário chega antes de a investigação ter fornecido as suas respostas definitivas.