Jordi partilha também a sua perspetiva sobre o papel da Câmara de Comércio Canadá-Portugal no reforço dos laços empresariais transatlânticos e na promoção de uma maior colaboração, investimento e crescimento a longo prazo em ambos os mercados.

Na sua opinião, quais são os fatores-chave que continuam a tornar Portugal um destino tão atraente para os investidores internacionais?

Portugal continua a distinguir-se através de uma combinação única de estabilidade política, segurança jurídica, adesão à União Europeia e uma qualidade de vida excecional. Oferece aos investidores acesso ao mercado europeu, mantendo simultaneamente um ambiente empresarial competitivo, uma mão-de-obra altamente qualificada e infraestruturas modernas.

Na nossa perspetiva, na Mercan, outro importante fator diferenciador é a capacidade de Portugal para atrair talentos globais e visitantes internacionais ano após ano. O turismo tornou-se um dos pilares económicos mais sólidos do país, apoiado por um compromisso consistente do governo com as infraestruturas, a conectividade, a sustentabilidade e a promoção do destino.

Para além dos números, os investidores procuram cada vez mais mercados onde os fundamentos económicos sejam acompanhados por estabilidade social e política a longo prazo. Portugal continua a cumprir em ambas as frentes, tornando-se um destino ideal para o investimento a longo prazo nos setores da hotelaria, do imobiliário e das infraestruturas relacionadas com o turismo.

Que tendências acredita que irão moldar o futuro do desenvolvimento hoteleiro nos próximos anos?

A hotelaria está a evoluir para além da simples oferta de alojamento. Os hotéis estão cada vez mais a tornar-se destinos integrados de uso misto que combinam alojamento, residências de marca, bem-estar, gastronomia, espaços de coworking e experiências locais autênticas.

Observamos também várias tendências estruturais a moldar o setor:

• Aumento da procura por empreendimentos sustentáveis e energeticamente eficientes.

• Maior utilização da tecnologia e da inteligência artificial para melhorar tanto a eficiência operacional como a experiência dos hóspedes.

• Crescimento contínuo das residências hoteleiras de marca, que oferecem aos investidores imóveis geridos profissionalmente e apoiados por marcas reconhecidas internacionalmente.

• Forte procura por viagens experienciais, em que os visitantes procuram cultura, gastronomia, natureza e experiências personalizadas, em vez do turismo tradicional.

Portugal está excepcionalmente bem posicionado para tirar partido destas tendências, pois oferece autenticidade, segurança, um clima excelente, profissionais de hotelaria de excelência e marcas hoteleiras reconhecidas a nível mundial que operam em todo o país.

Entre os mais de 30 projetos da Mercan em Portugal, há algum que considere particularmente representativo do impacto económico e turístico a longo prazo?

Em vez de destacar um único empreendimento, acredito que o verdadeiro impacto advém da contribuição coletiva do portfólio da Mercan em todo o país.

Ao longo da última década, desenvolvemos mais de 30 projetos de hotelaria, muitos deles localizados em áreas de regeneração urbana ou em destinos com um potencial turístico significativo. Em conjunto, estes projetos atraíram milhares de investidores internacionais, geraram milhares de milhões de euros em atividade económica, criaram milhares de postos de trabalho diretos e indiretos e contribuíram para expandir a oferta hoteleira de alta qualidade em Portugal.

Um exemplo que ilustra esta visão é o nosso hotel Origine Porto Gaia, que transformou um antigo espaço industrial num destino hoteleiro de luxo, contribuindo simultaneamente para a revitalização de Vila Nova de Gaia. Histórias semelhantes podem ser encontradas em todo o nosso portfólio, onde o investimento na hotelaria serve não só o turismo, mas também a renovação urbana, o emprego e o desenvolvimento regional a longo prazo.

O nosso objetivo nunca foi simplesmente construir hotéis. Tem sido criar ativos hoteleiros sustentáveis que gerem valor duradouro para os investidores, as comunidades locais e a economia de Portugal.

Qual considera ser o papel de uma organização como a CPCC no apoio e reforço de investimentos transatlânticos em grande escala?

Organizações como a Câmara de Comércio Canadá-Portugal desempenham um papel fundamental na construção da confiança entre os mercados.

Os grandes investimentos internacionais dependem não só de capital, mas também de relações de confiança, credibilidade institucional e da capacidade de estabelecer ligações entre empresas, governos e investidores. A CPCC proporciona exatamente essa plataforma, facilitando o diálogo, promovendo o comércio e o investimento bilaterais, partilhando conhecimento e ajudando as empresas a explorar oportunidades em ambos os lados do Atlântico.

Enquanto empresa canadiana que investiu amplamente em Portugal, a Mercan experimentou em primeira mão o valor de parcerias institucionais sólidas. A Câmara ajuda a reforçar a relação de longo prazo entre o Canadá e Portugal e contribui para posicionar ambos os países como parceiros estratégicos para o investimento, a inovação e o crescimento económico.

À medida que estes laços económicos continuam a aprofundar-se, organizações como a CPCC tornar-se-ão ainda mais importantes para fomentar a colaboração, atrair investimento e criar oportunidades que beneficiem as empresas e as comunidades de ambos os países.

Por Câmara de Comércio Canadá-Portugal, com Jordi Vilanova

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