A amplitude da vitória, confirmada pelas projeções dos principais meios de comunicação dos EUA, superou as expectativas do Partido Democrata, que recuperou o controlo do Senado e da Câmara dos Representantes, anteriormente dominados pelos republicanos.
Os resultados representam uma profunda mudança no equilíbrio político em Washington e obrigarão Trump a enfrentar um Congresso controlado pela oposição durante os dois últimos anos do seu mandato presidencial.
De acordo com os dados preliminares divulgados durante a madrugada, os democratas garantiram pelo menos 54 lugares no Senado e 225 lugares na Câmara dos Representantes, ultrapassando as maiorias necessárias em ambas as câmaras, embora várias disputas continuem sem um vencedor declarado.
Surpresa na noite eleitoral
A vitória no Senado foi a maior surpresa da noite eleitoral, depois de os democratas terem conquistado pelo menos sete lugares aos republicanos, incluindo em estados tradicionalmente conservadores como o Texas, o Kansas, a Carolina do Sul, o Ohio e o Iowa.
No Texas, o democrata James Talarico derrotou o republicano Ken Paxton, apoiado por Trump, tornando-se o primeiro candidato do seu partido a conquistar um lugar no Senado no estado desde 1988.
Outra vitória histórica ocorreu no Kansas, onde Adam Hamilton derrotou o senador republicano Roger Marshall, garantindo a primeira vitória eleitoral democrata para o Senado no estado desde 1932.
Na Carolina do Sul, Annie Andrews derrotou a republicana Darline Graham, garantindo uma vitória que os democratas não alcançavam desde o século passado, enquanto em Ohio o ex-senador Sherrod Brown reconquistou um lugar na câmara alta ao derrotar Jon Husted.
Na Carolina do Norte, o ex-governador Roy Cooper derrotou Michael Whatley, que contava com o apoio do presidente, enquanto no Iowa o democrata Josh Turek derrotou Ashley Hinson.
No Maine, Susan Collins, uma das senadoras republicanas mais conhecidas e membro do Congresso desde 1997, reconheceu a derrota perante o democrata Troy Jackson, embora a contagem ainda não estivesse concluída.
Eleições em estados-chave
Os democratas também conseguiram manter lugares importantes, nomeadamente na Geórgia, onde Jon Ossoff, uma das principais esperanças do partido para o futuro, foi reeleito, e em New Hampshire, onde Chris Pappas venceu a disputa pelo lugar deixado vago pela senadora Jeanne Shaheen.
No Michigan, Abdul El-Sayed reivindicou a vitória sobre o republicano Mike Rogers, tornando-se, de acordo com as projeções divulgadas posteriormente, o primeiro muçulmano eleito para o Senado dos EUA.
El-Sayed, que enfrentou ataques relacionados com a sua religião durante a campanha, destacou as dificuldades económicas enfrentadas pelas famílias americanas no seu discurso de vitória e defendeu o acesso aos cuidados de saúde e os direitos dos trabalhadores.
Apesar da maioria democrata prevista no Senado, as disputas no Alasca e no Mississippi continuam por decidir e poderão aumentar ainda mais a amplitude da vitória da oposição.
No Alasca, a democrata Mary Peltola disputa o lugar ocupado pelo republicano Dan Sullivan numa eleição particularmente renhida. Os primeiros resultados deram inicialmente vantagem à candidata democrata, mas espera-se que a contagem continue devido às regras eleitorais do estado, que incluem o sistema de votação por ordem de preferência.
No Mississippi, um estado normalmente favorável aos republicanos, a senadora Cindy Hyde-Smith enfrenta uma disputa inesperadamente renhida com o democrata Scott Colom, com apenas pequenas diferenças entre os candidatos nos resultados preliminares.
Na Câmara dos Representantes, os democratas conquistaram mais de duas dúzias de distritos anteriormente detidos pelos republicanos, incluindo alguns em que Trump tinha vencido as eleições presidenciais de 2024 por margens superiores a 10 pontos percentuais, de acordo com a Associated Press.
A nova maioria permitirá aos democratas controlar as comissões do Congresso, investigar a administração presidencial e bloquear iniciativas legislativas republicanas, enquanto o controlo do Senado lhes dará a capacidade de impedir nomeações presidenciais.
O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, saudou o que descreveu como uma vitória extraordinária e prometeu uma mudança nas prioridades políticas em Washington.
«Contra todas as expectativas, nós, democratas, conquistámos o Senado», afirmou Schumer, acrescentando que «o alívio está a caminho» para as famílias americanas.
O senador de Nova Iorque afirmou que os resultados representavam uma transformação geracional do mapa político do Senado e alertou que os democratas teriam agora de corresponder às expectativas dos eleitores
A reação de Trump
Donald Trump felicitou os democratas, mas procurou distanciar-se da derrota republicana, atribuindo parte da responsabilidade à guerra no Irão e ao desempenho dos candidatos do seu partido.
«Penso que parte disso se deveu ao Irão», afirmou numa entrevista à Fox News, ao mesmo tempo que defendia a importância das decisões que tomara relativamente ao conflito.
O presidente reconheceu também que os eleitores não estavam dispostos a arcar com as consequências imediatas do aumento dos preços dos combustíveis causado pela guerra.
Trump afirmou que os democratas tinham «feito um bom trabalho», mas rejeitou a ideia de que os resultados representassem uma condenação pessoal da sua presidência.
«Eu não estava na cédula eleitoral e, se estivesse, teríamos vencido por uma maioria esmagadora», escreveu ele na plataforma Truth Social.
O chefe de Estado afirmou estar disposto a colaborar com os democratas, embora tenha advertiu que utilizaria o seu veto presidencial para impedir a aprovação de legislação que considerasse inaceitável.
A vitória democrata estendeu-se também às eleições para governador nos estados, com resultados particularmente significativos no Texas, onde Gina Hinojosa derrotou o republicano Greg Abbott, e na Geórgia, onde Keisha Lance Bottoms se tornou a primeira mulher negra eleita governadora de um estado dos EUA.
A insatisfação com o custo de vida, a guerra no Irão e as preocupações com a corrupção governamental estiveram entre os principais fatores citados como tendo contribuído para os resultados eleitorais.









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