Os dados vêm de um estudo preliminar realizado pela Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) a pedido do Ministério da Saúde para analisar o impacto financeiro do reembolso desses medicamentos.
No dia da publicação do Programa Nacional de Prevenção e Gestão da Obesidade (PNPGO), Ana Povo, secretária de Estado da Saúde, disse à agência noticiosa Lusa que esse plano estava em desenvolvimento desde o início do ano e que, na altura, estava a ser considerado o co-pagamento de alguns desses medicamentos.
“Por isso, pedimos à entidade responsável, o Infarmed, que fizesse um estudo preliminar sobre o impacto financeiro da implementação desta medida, para ver quais seriam os ganhos para a saúde pública da população”, disse Ana Povo.
Os resultados preliminares revelaram que, se um copagamento de 90% para todos os medicamentos atualmente disponíveis fosse implementado, o Estado gastaria dois bilhões de euros.
Isso seria um “ônus para o Estado maior do que todos os gastos atuais com medicamentos ambulatoriais”, considerando os mais de 1,6 milhão de pessoas com obesidade em Portugal (cerca de 16% da população), disse à Lusa.
Em 2024, o Serviço Nacional de Saúde gastou 1.683,8 milhões de euros em co-pagamentos de medicamentos que os usuários compram nas farmácias, de acordo com o último relatório do Infarmed.
Atualmente, existem cinco medicamentos disponíveis no mercado português para o tratamento da obesidade, todos sujeitos a receita médica e não cobertos pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS): Mounjaro (Tirzepatide), Wegovy (Semaglutide), Saxenda (Liraglutide), Mysimba (Bupropion+Naltrexona) e Orlistat 120 mg.
Ana Povo enfatizou que, “mesmo restringindo a cobertura desses medicamentos a uma população com obesidade graus II e III, a despesa ultrapassaria 600 milhões de euros por ano”, um valor aproximadamente quatro vezes superior a “todos os gastos atuais com doenças cerebrovasculares em Portugal, que rondam os 115 milhões de euros”.
“Isso nos obriga a garantir uma resposta a essas pessoas, que não podem ficar para trás, mas também a trabalhar em um modelo de sustentabilidade para não comprometer todo o sistema de saúde”, ressaltou.
Mais estudos
O Ministério da Saúde aguarda agora “estudos mais detalhados do Infarmed”, disse o ministro, acrescentando que a hipótese em análise é acompanhar outros países europeus e subsidiar apenas
alguns medicamentos.“Nem todos, mas alguns. É nisso que estamos trabalhando agora com o Infarmed”, frisou.
O Ministério da Saúde enfatiza que atualmente nenhum país europeu subsidia todos esses medicamentos.
Em Portugal, a obesidade afeta 28,7% dos adultos e o excesso de peso afeta 67,6%.
Em 2022, a obesidade infantil afetou 13,5% das crianças de seis a oito anos e o sobrepeso afetou 31,9%.
Atualmente, o excesso de peso é responsável por 7,5% da mortalidade em Portugal e é o segundo principal fator de risco que contribui para a carga de doenças no país.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) estima que 10% da despesa total com saúde em Portugal seja destinada ao tratamento de doenças relacionadas com o excesso de peso, com um impacto global de 3% no produto interno bruto.








