De acordo com o advogado David Mestre Leonardo, que, junto com Caio Cortes Igarashi, representou o grupo de quase trezentos enfermeiros, a decisão tomada na semana passada pelo STJ pode ser estendida a aproximadamente 7.000 enfermeiras de todo o país que também estão sob contratos individuais de trabalho.
“Este é um resultado histórico e uma das vitórias mais significativas para a justiça laboral portuguesa”, disse David Mestre Leonardo, em declarações à agência noticiosa Lusa.
Segundo o advogado, a decisão do Supremo Tribunal de Justiça surge na sequência de sucessivos recursos interpostos pela Unidade Local de Saúde do Algarve (ULS) e marca “um passo decisivo” para eliminar a discriminação entre enfermeiros com contratos a prazo (CIT) e os contratados ao abrigo de contratos de trabalho de serviço público (CTFP).
“A decisão reconhece o direito dos profissionais do CIT ao reposicionamento salarial e ao pagamento de valores retroativos devidos de janeiro de 2018 [quando ocorreu o descongelamento da progressão de carreira na Administração Pública] até dezembro de 2021”, explicou David Mestre Leonardo.
As decisões emitidas pelo Tribunal do Trabalho de Portimão e agora confirmadas pelo Supremo Tribunal de Justiça obrigam, segundo o advogado, a ULS do Algarve a reconhecer que os enfermeiros com CIT e CTFP desempenham funções iguais em termos de qualidade, quantidade e natureza.
De acordo com a decisão, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu “negar provimento na íntegra” ao último recurso interposto pela Unidade Local de Saúde do Algarve (ULS), confirmando assim o acórdão recorrido.
“Se o tribunal nos mandar fazer isso, agora não temos escolha a não ser cumprir”, assegurou o presidente da ULS do Algarve à agência de notícias Lusa, garantindo que a ULS cumprirá, “obviamente, a lei”.
No entanto, de acordo com Tiago Botelho, a questão em jogo é “aplicar retroativamente uma contagem de pontos para progressão na carreira até 2018, o que não deveria ter sido feito” e só deveria ter sido contado a partir de janeiro de 2022.
“Em determinado momento, tivemos decisões favoráveis para a administração no Tribunal de Apelação, mas o que importa é a Suprema Corte e, portanto, aplicaremos todas as decisões que a Suprema Corte nos ordenar a aplicar e que se tornaram definitivas”, afirmou.
A Unidade Local de Saúde (ULS) terá agora que alocar pontos relativos ao ano de início das funções, independentemente de terem começado no primeiro ou no segundo semestre, e terá que proceder ao pagamento dos aumentos salariais (retroativos) devidos de janeiro de 2018 a dezembro de 2021, com repercussões nas horas extras, trabalho noturno e feriados, entre outros, além de juros e custas judiciais, diz David Mestre Leonardo.
Segundo o advogado, cada um dos quase 300 enfermeiros algarvios deve, em média, receber entre €10.000 e €20.000, com repercussões não só nos salários passados e nos ganhos atuais, mas também na progressão na carreira.
A decisão acabará com a discriminação salarial de enfermeiros com contratos individuais de trabalho em comparação com aqueles contratados sob contratos de trabalho de serviço público.
“Espero que o Governo tome medidas legislativas para estender os efeitos dessas decisões judiciais a todos os enfermeiros com contratos permanentes no país”, disse David Mestre Leonardo, acrescentando que se isso não acontecer, os enfermeiros poderão recorrer a ações legais.
“Foi uma verdadeira batalha entre David e Golias, mas a justiça prevaleceu”, concluiu.








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