Embora não seja biográfica, a narrativa explora a experiência da diáspora portuguesa no Reino Unido por meio da protagonista, Alice, que mora em Londres há muitos anos, assim como a atriz portuguesa Raquel Cipriano, que interpreta a personagem.
Voltando às suas raízes para lidar com questões relacionadas à herança de sua mãe, Alice redescobre raízes que ela não sabia que tinha e é forçada a confrontá-las.
“Minha experiência é que nossa casa é um conceito muito mais amplo. Um sentimento de não pertencer a um lugar específico, mas de pertencer a ambos de maneiras diferentes”, disse Raquel Cipriano, que vive em Londres há cerca de doze anos, à agência
noticiosa Lusa.O projeto surgiu de uma visita inicial ao Douro em 2018, que deixou a atriz impressionada com a topografia do norte de Portugal. “Eu olhei para aquele lugar e imediatamente entendi por que todo mundo adora. Achei que precisava escrever um filme sobre como uma paisagem pode mudar uma pessoa”, lembrou.
O primeiro rascunho do roteiro foi escrito durante a pandemia da COVID-19 em 2020 e desenvolvido em colaboração com a cineasta britânica Mischa Andreski, que trouxe uma perspectiva pessoal ao projeto.
Sofrendo de esclerose múltipla, Andreski se identificou com os temas da obra, centrada em uma personagem que descobre que herdou uma doença degenerativa, a Doença de Huntington, ao mesmo tempo em que herdou uma casa no Vale do Douro.
A casa serve como metáfora para algo difícil de abandonar.
“Eu não introduzi o tema, mas me identifiquei com ele e senti que tinha muito a acrescentar a esse roteiro por experiência própria”, explicou a diretora, que estudou em Oxford e atualmente está colaborando com a cineasta Sally Potter em seu próximo longa-metragem.
O filme, com 15 minutos de duração e falado em português e inglês, foi financiado pelo Instituto Português do Cinema e Audiovisual (ICA) e pela Fundação GDA. O processo de desenvolvimento, financiamento e produção durou cinco anos.
O filme está programado para ter sua estreia internacional na sexta-feira no Festival Internacional de Curtas-Metragens de Piélagos 2026 na Espanha, seguido pelo FEST — Novos Diretores/Novos Filmes 2026 em Espinho, e pelo Flying Broom Women's Film Festival 2026 em Ancara, Turquia, ambos em junho.
Hoje, o curta-metragem será exibido em Londres em uma sessão especial como parte do programa cultural da Embaixada de Portugal no Reino Unido, com o apoio do Instituto Camões.
Para os autores, “Herança” também representa uma afirmação da independência criativa.
Andreski, 32 anos, que trabalhou como produtora, vê a direção como seu caminho natural e já está preparando novos projetos, incluindo um longa-metragem.
Cipriano, natural de Lisboa, mas formado na American Musical Theatre Academy e na Identity School of Acting, ambas em Londres, estreou-se como diretor. “Gostei e continuarei criando filmes”, assegurou.









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