Disponível, limpo e rápido de se conectar à rede. E é aqui que Portugal entra com uma clara vantagem.

Temos um dos sistemas de energia mais bem posicionados na Europa quando se trata de energias renováveis. Temos a capacidade de crescimento, temos condições naturais e temos um posicionamento geográfico que nos coloca como uma ponte entre continentes. Em teoria, reunimos quase tudo o que os grandes investidores estão procurando.

Mas o estudo também mostra algo menos confortável: o mercado deixou de recompensar apenas o potencial. Recompensa a execução. E é justamente aqui que Portugal ainda está falhando

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Lisboa aparece no radar. Não é mais invisível. Mas também ainda não é uma prioridade. Está em um grupo intermediário de mercados que despertam interesse, mas que não pode competir com os grandes centros europeus ou com alguns mercados emergentes que estão crescendo mais rapidamente. E isso não acontece por falta de condições naturais. Isso acontece devido à falta de velocidade.

Hoje, os investidores não esperam. O capital se move onde encontra menos atrito. Onde há clareza regulatória, velocidade de licenciamento e capacidade real de conexão à rede elétrica. E aqui, Portugal continua preso a processos lentos, decisões fragmentadas e uma estrutura administrativa que muitas vezes atua como um freio em vez de um facilitador

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O mais interessante é que não estamos competindo com os melhores. Estamos competindo com os mais ágeis. E isso deve ser um sinal de alerta.

Porque enquanto Portugal discute, outros países estão simplificando. Enquanto o impacto está sendo debatido aqui, ele está sendo executado do lado de fora. E em um setor em que o tempo é tudo, perder tempo é perder investimento

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Dito isso, o cenário está longe de ser negativo. Pelo contrário. Portugal está em uma posição privilegiada para crescer neste novo ciclo. Mas ele precisa alinhar três dimensões fundamentais

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Primeiro, acelerar a capacidade de resposta do Estado. Licenciamento, conexões à rede e decisões estratégicas precisam acompanhar o mercado

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Em segundo lugar, invista seriamente em infraestrutura de energia. Não basta produzir energia renovável. É necessário garantir que ele esteja disponível, distribuído e integrado.

Terceiro, alinhe a visão. Energia, tecnologia e investimento não podem mais ser tratados como áreas separadas. Eles fazem parte do mesmo ecossistema. Basicamente, o estudo da Cushman & Wakefield não traz nada de novo. Isso traz uma confirmação.

Portugal tem tudo para ser relevante na nova economia digital. Mas não basta mais ter potencial. Temos que provar que podemos executar. E essa é, neste momento, a única diferença entre quem liderará... e quem simplesmente seguirá.