Os dados constam do Sumário Executivo dos Relatórios Anuais para 2024 do Instituto dos Comportamentos Aditivos e das Dependências(ICAD), que agrega informação de um conjunto de inquéritos e barómetros dos últimos anos, em Portugal e a nível europeu, sobre consumos e dependências entre os jovens e a população em geral, e que é hoje apresentado na Assembleia da República.
De acordo com o inquérito nacional de 2022, entre os consumidores actuais, "o consumo diário/quase diário de alguma bebida alcoólica foi de 37% (20% dos inquiridos), sendo que 30% dos consumidores bebem diariamente vinho, 12% cerveja e 2% bebidas espirituosas".
"Quanto aos padrões de consumo abusivo ou de dependência de álcool, 3,1% da população (5,1% dos consumidores) teve um consumo elevado/prejudicial nos últimos 12 meses e 1,1% (1,8% dos consumidores) apresentou sintomas de dependência."
Na faixa etária dos 15 aos 34 anos, 3,6% tiveram consumos de risco e 0,4% apresentaram sintomas de dependência (6,2% e 0,7% dos consumidores), acrescenta o relatório, que aponta para padrões mais graves entre os homens, sendo a faixa etária dos 25 aos 34 anos a que apresenta comportamentos mais nocivos e a dos 45 aos 54 anos a que tem maior prevalência de dependência.
Segundo o ICAD, apesar do aumento da abstinência, não se registou uma melhoria dos indicadores, com o início do consumo a ser mais precoce e os consumos nocivos e a tendência para o aumento da dependência a agravarem-se desde 2012, "que quase quadruplicou em dez anos".
Os comportamentos de risco são mais frequentes nos homens, embora sejam comuns a ambos os sexos e na maioria dos grupos etários. O ICAD refere ainda que se mantêm as "heterogeneidades regionais", com o centro a apresentar uma maior prevalência de consumo excessivo e de embriaguez grave. No caso do risco elevado e da dependência, o Alentejo junta-se à região centro.
Entre os jovens de 18 anos, registou-se em 2024, pelo segundo ano consecutivo, uma diminuição das prevalências de consumo de álcool, mas pelo terceiro ano consecutivo esta foi mais elevada entre as mulheres.
Neste grupo de jovens, inquiridos no Dia da Defesa Nacional de 2024, 7% referiram consumir álcool diariamente ou quase diariamente, e quase metade (48%) referiu ter consumido álcool em "binge" no último ano.
O binge drinking - consumo rápido e excessivo num curto espaço de tempo para atingir a embriaguez rapidamente - continua a ser ligeiramente mais prevalente nos rapazes do que nas raparigas, mas o ICAD alerta que as diferenças estão a diminuir.
Também entre os jovens, os comportamentos mais problemáticos são registados no Alentejo.
No estudo, que incidiu sobre jovens com idades compreendidas entre os 13 e os 18 anos, 58% afirmaram já ter bebido álcool em algum momento e "cerca de 30% dos estudantes com idades compreendidas entre os 13 e os 18 anos afirmaram ter bebido álcool com 13 anos ou menos e 3,5% afirmaram ter-se embriagado em idade tão precoce".
Num inquérito europeu realizado nas escolas em 2024, 32% dos alunos portugueses consideraram o consumo diário de 1 ou 2 bebidas como um risco elevado.
Entretanto, 64% consideraram o mesmo risco elevado para o consumo de quatro a cinco bebidas e 58% consideraram que consumir cinco ou mais bebidas ao fim de semana é um risco elevado, proporções que estão a diminuir em relação a 2019.
"Quanto às políticas de controlo, após as medidas legislativas mais restritivas em 2013 e 2015 - sobretudo relacionadas com a disponibilidade, venda e consumo de bebidas alcoólicas e a condução sob o efeito do álcool -, tem havido poucos progressos nestas áreas, mantendo-se as estratégias regulatórias para as bebidas alcoólicas menos restritivas do que para outros produtos similares, numa perspetiva de saúde pública", aponta o ICAD.
O instituto acrescenta que "um número significativo de menores continua a adquirir bebidas alcoólicas, apesar de tal ser proibido por lei" e refere a importância da fiscalização, com 10.766 estabelecimentos inspeccionados em 2023, de acordo com os dados mais recentes disponíveis, menos 16% do que em 2022 e "o valor mais baixo desde 2016".
"Em 2024, foram instaurados 48 processos de contraordenação relacionados com a oferta/venda a menores em Portugal Continental. O número destas contraordenações diminuiu pelo terceiro ano consecutivo (-23% face a 2023), representando o valor mais baixo desde 2016", refere ainda o relatório.
O imposto especial sobre as bebidas alcoólicas (IABA) rendeu 282,5 milhões de euros ao Estado em 2024.









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