Mariana Leitão questionou o líder do Governo durante o debate quinzenal desta tarde na Assembleia da República sobre as exigências do Chega no sentido de aprovar as alterações à lei do trabalho que serão discutidas e votadas esta semana. André Ventura pretende que a idade de reforma seja de 65 anos ou que coincida com o momento em que o trabalhador completar 40 anos de contribuições.

Crítica ao primeiro-ministro

A líder dos liberais criticou o primeiro-ministro por, na negociação do pacote laboral nos últimos meses com os parceiros sociais, ter optado por «realizar mais de 60 reuniões com centrais sindicais capturadas pelos partidos, para depois iniciar negociações com partidos capturados pelas narrativas das centrais sindicais».

«O que o primeiro-ministro fez foi autodenominar-se “Luís, o concertador”, para depois lamentar a inflexibilidade do diálogo social», afirmou, depois de também ter criticado a ênfase do Governo em questões como a amamentação, enquanto «o país sofre com baixas taxas de natalidade».

A IL afirmou ainda que Luís Montenegro «entregou o futuro da juventude do país» a interesses particulares e «envolveu a reforma laboral num debate completamente tóxico, o que obviamente a prejudica agora e a prejudicará no futuro».

Negociações do Governo

Após as críticas, Mariana Leitão concluiu com uma pergunta sobre as negociações do Governo com o Chega: «Vão ou não ceder ao Chega quanto à redução da idade de reforma como contrapartida à reforma laboral?»

Em resposta, Montenegro disse discordar da visão de Leitão sobre o diálogo social, desafiou a IL a participar na discussão desta proposta «sem estigmas», mas não respondeu diretamente à pergunta, referindo que não existe, de momento, qualquer acordo entre as partes.

«O melhor é que ninguém tire conclusões precipitadas que possam não ser corroboradas pelo que acontecer mais tarde. Já há suficientes disso, e há muitos que, ao longo dos meses, disseram tudo e o contrário em público sobre este processo», acrescentou.

Após esta resposta, Mariana Leitão voltou a perguntar se o Governo iria baixar a idade de reforma para satisfazer a exigência do Chega, ao que Luís Montenegro respondeu sucintamente: «Sabe que não apoiamos esta proposta.»

Tendo em conta a sustentabilidade

Numa resposta posterior, Montenegro afirmou ainda concordar com a opinião de Mariana Leitão de que baixar a idade de reforma sem ter em conta a sustentabilidade «era um erro e sobrecarregava os jovens», apontando para as medidas do Executivo destinadas aos mais jovens.

Quando o primeiro-ministro já não tinha tempo para responder, Mariana Leitão acusou-o também de «celebrar o facto de Portugal estar a abrandar menos do que as restantes economias europeias».

Nesta troca de argumentos, Luís Montenegro aproveitou a oportunidade para responder a uma intervenção anterior do secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, acusando-o de, em matéria laboral, «soar como Paulo Raimundo», líder do PCP.

«Pelo menos o senhor deputado Paulo Raimundo é coerente; fala sempre abertamente e defende as suas convicções. O deputado José Luís Carneiro e o Partido Socialista, por outro lado, andam sempre a ziguezaguear, como é característico da sua história política mais recente», retorquiu.