«Prevemos uma colheita de elevada qualidade e quantidade média, desde que se verifiquem as condições que esperamos sejam normais para esta altura do ano», afirmou o presidente da CVRA, Luís Sequeira, citado pela agência noticiosa Lusa.

Com a época de vindima na região ainda a começar, o dirigente sublinhou que a CVRA prevê um aumento de 20% na produção em comparação com o ano passado, aproximando-se do valor médio registado nos últimos cinco anos no Alentejo.

«Prevemos 108 milhões de litros», especificou Luís Sequeira, recordando que a colheita de 2025 na região do Alentejo «foi particularmente escassa», situando-se em cerca de 80 milhões de litros.

Segundo o presidente da CVRA, a estimativa baseia-se numa projeção feita em parceria com a Universidade do Porto, a par de informações fornecidas pelos produtores.

A par do aumento da produção, espera-se uma «colheita particularmente significativa em termos qualitativos», uma vez que o ano «está a decorrer de forma quase ideal» para esta cultura, com as uvas «em muito bom estado de saúde».

Influenciada pelo clima

Recorrendo ao provérbio popular «a vindima dura até se lavarem os cestos», Luís Sequeira afirmou que, embora esta estimativa tenha uma base científica, as previsões de produção «são sempre falíveis».

«Se tivermos temperaturas muito elevadas nas próximas semanas, o que pode até causar as chamadas queimaduras solares, poderemos, com relativa facilidade, reduzir esta previsão», sublinhou.

Segundo o responsável, as vindimas no Alentejo começaram, como é habitual, no Baixo Alentejo, com a colheita das uvas brancas e espumantes, mas a maioria dos produtores da região inicia o trabalho «a sério» por volta de 15 de agosto.

«As vindimas decorrerão durante os meses de agosto e setembro e, a partir daí, teremos o processo de vinificação», afirmou, prevendo que, ao contrário dos tintos, que «chegam mais tarde», alguns brancos poderão chegar ao mercado no início de 2027.

Novas tecnologias

Nesta campanha, revelou o representante, serão testadas novas tecnologias, como o projeto-piloto de rastreabilidade das uvas desde a vinha até à adega através de códigos QR e outro que recorre a imagens de satélite.

Luís Sequeira acrescentou que, durante a vindima, muitos produtores da região do Alentejo promovem programas dirigidos a apreciadores de vinho e turistas, tais como provas e vindimas noturnas.

A CVRA foi criada em 1989 e é responsável pela proteção e defesa da Denominação de Origem Controlada (DOC) Alentejo e da Indicação Geográfica Alentejano, pela certificação e controlo da origem e da qualidade, bem como pela promoção e fomento da sustentabilidade.

Exportações de vinho

A região do Alentejo é líder nacional em vinhos certificados, representando aproximadamente 40% do valor total das vendas nas 14 regiões vitícolas de Portugal.

Com uma área vitícola de 23 300 hectares, 30% da sua produção destina-se à exportação para cinco destinos principais: Brasil, Suíça, Estados Unidos da América, Reino Unido e Polónia.