A rede “Emergência florestal/Floresta do Futuro” está mobilizando a população para organizar protestos em todo o país no final do verão contra incêndios florestais e exigir medidas para combater o abandono das áreas rurais e reduzir as florestas de eucalipto.

“Estamos organizando uma iniciativa e faremos várias coisas fora do período de emergência porque a situação atual não pode continuar. Isso é completamente inaceitável e irracional, e devemos agir”, disse à Lusa um dos membros da rede, João Camargo

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O movimento reúne participantes de mais de 15 cidades e vilas de todo o país e atualmente está “convocando as pessoas a se auto-organizarem”, disse João Camargo, explicando que o objetivo é “evitar que o flagelo dos incêndios florestais fique sem uma resposta pública, sem protestos, e que a questão se torne uma mera questão técnica”.

O movimento fala de uma “convergência de fatores catastróficos”, destacando o abandono do campo e o aumento das florestas de eucalipto: “Neste momento, é impossível falar sobre o futuro, porque o futuro é cinzas e fogo, e é por isso que precisamos de políticas de longo alcance”, argumentou o presidente, que acredita na mobilização pública e nos protestos para demonstrar que a questão é uma prioridade.

No ano passado, mais de 12 cidades participaram da iniciativa e, neste ano, vários locais já foram confirmados para o protesto “Deseucalipto, Descarbonize, Democratize”, que acontecerá em 20 de setembro.

Segundo João Camargo, haverá ações em Arganil, Lousã, Lisboa e Porto. A rede está sendo contatada por meio de sua página no Instagram por indivíduos, associações e outras organizações para mais demonstrações, reuniões ou

ações locais.

O movimento também está em contato com organizações espanholas, particularmente na Galiza, e o protesto será vinculado à campanha internacional “Draw the Line”, que acontecerá entre 19 e 21 de setembro em todo o mundo.

O movimento critica a “escolha repetida de abandonar o mundo rural e abandonar as plantações de eucalipto” e, portanto, promete sair às ruas para protestar contra as políticas governamentais que fazem de Portugal “o país com mais incêndios na União Europeia”.

A rede está, portanto, convocando outro protesto pela floresta e mais uma vez se manifestando contra as indústrias que criam condições para que o território continue sendo devastado por incêndios.

“Em termos relativos, é o país com a maior área florestal de eucalipto do mundo. É o país com a menor área florestal pública da Europa. Isso resulta em lucros recordes para a indústria de celulose”, acusa a rede em comunicado enviado à Lusa

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Portugal continental tem sido afetado por vários incêndios rurais desde julho, especialmente nas regiões Norte e Centro, em meio a altas temperaturas que levaram à declaração do estado de alerta em 2 de agosto.

De acordo com dados oficiais provisórios, até 19 de agosto, mais de 201.000 hectares haviam sido queimados no país, mais do que a área queimada em todo o ano de 2024.

Este ano, os incêndios já causaram pelo menos duas mortes, incluindo um bombeiro, e vários ferimentos, a maioria deles leves, e destruíram total ou parcialmente a primeira e a segunda casas, bem como fazendas, fazendas de gado e áreas florestais.

A rede “Emergência Florestal/Floresta do Futuro” foi criada em 2022 na sequência de uma iniciativa para chamar a atenção para o problema dos incêndios: “Organizamos uma caravana pela justiça climática que percorreu cerca de 400 quilômetros, entre a Figueira da Foz e Lisboa, passando pelas áreas mais afetadas pelos incêndios florestais”, lembrou o responsável, assegurando que eles não vão parar até que suas demandas sejam atendidas.