Naquele dia, 11 petroleiros KC-46 Pegasus, 12 caças F-16 Viper e um avião de carga militar C-17 Globemaster III estavam estacionados na Base Aérea das Lajes.
A agência de notícias Lusa contactou o Departamento de Estado dos EUA e o Departamento de Defesa dos EUA para esclarecimentos sobre esses movimentos nas Lajes.
“O Comando Europeu dos EUA recebe regularmente aeronaves e militares dos EUA em trânsito, de acordo com os acordos de acesso, base e sobrevoo firmados com aliados e parceiros”, disse o Pentágono (Departamento de Defesa) em uma breve mensagem escrita.
“Levando em conta a segurança operacional dos ativos e do pessoal dos EUA, não é possível divulgar mais detalhes no momento”, acrescentou.
Ataques sem aviso prévio
O ministro das Relações Exteriores admitiu que os Estados Unidos poderiam usar a Base Aérea das Lajes para uma operação militar contra o Irã sem notificar Portugal, mas ressaltou que o governo defende o
caminho da paz.Falando aos jornalistas à margem de uma reunião de ministros das Relações Exteriores da União Europeia (UE) em Bruxelas, Paulo Rangel foi questionado se Portugal havia autorizado formalmente o uso da Base Aérea das Lajes no contexto de uma possível ação militar dos EUA contra o Irã.
Em sua resposta, o ministro das Relações Exteriores ressaltou que “o uso da Base Aérea das Lajes pelos Estados Unidos foi feito exclusivamente, e como deve ser, de acordo com o tratado que existe entre os dois países”.
“Trata-se apenas de sobrevoo, estacionamento e possivelmente escalas de aeronaves, e isso foi autorizado nos termos gerais do acordo”, afirmou, lembrando que este acordo prevê “autorizações tácitas, que são concedidas dentro de um período relativamente curto”.
Rangel admitiu que, nas últimas semanas, o uso dessas autorizações tácitas foi “maior do que o normal”, mas ressaltou que isso já aconteceu “mais de uma vez” desde que ele assumiu o cargo de ministro das Relações Exteriores, em abril de 2024.
“Não há estrutura que não seja a estrutura geral. E, portanto, qualquer outra operação não precisa ser autorizada, conhecida ou comunicada por Portugal. Nunca foi e não seria agora”, afirmou.
Questionado se isso significa que os Estados Unidos, ao abrigo deste tratado, podem usar a Base Aérea das Lajes para uma operação no Irão sem o conhecimento de Portugal, Paulo Rangel respondeu: “Exatamente, isso é verdade.”
“Eles podem, para qualquer operação, usá-lo sem que Portugal precise saber. É assim nos tratados, e é assim que está acontecendo com todas as bases europeias, dos mais variados países”, disse.
Posição de Portugal
Questionado sobre se Portugal não vê problema em os Estados Unidos usarem a Base Aérea das Lajes para uma operação contra o Irã, o ministro respondeu que “Portugal fez um apelo sistemático, também sobre a questão do Irã, para que questões e diferenças sejam resolvidas através da paz”.
“Essa tem sido a posição de Portugal e continua sendo”, disse.







