Em uma sociedade moderna onde o consumo excessivo é incentivado, uma embarcação que valoriza qualidade, durabilidade e sustentabilidade ainda se mantém firme, pronta para receber aqueles que desejam preservar seus bens em vez de jogá-los fora.
Para Jorge Carvalho, o calçado artesanal é ao mesmo tempo um ofício e uma paixão.
Uma
profissão nobre
Outrora funcionário administrativo de uma fábrica de papel, ele aprendeu restauração observando um ex-cunhado.“Algo sobre isso me atraiu, provavelmente o aspecto manual, que eu gosto.
Em 1984, deixei meu emprego para seguir essa profissão”, diz ele.
Jorge Carvalho começou a trabalhar em casa e foi lá que ele percebeu que tinha um futuro na fabricação de calçados sob medida. Com a crescente demanda por reparos, ele precisava de um espaço dedicado para sua embarcação, então abriu sua própria loja.
“A cada dia que passa, eu aprendo mais e mais. Para mim, essa é uma profissão verdadeiramente nobre e que eu gostaria de ver continuar, mas a tendência é de cada vez menos sapateiros”, diz ele.
Aos 41 anos, e depois de trabalhar em várias lojas, o mestre sapateiro, originário de Lisboa, encontrou sua casa em Lagoa, no Algarve — uma região que ele já conhecia bastante, pois é a terra natal de sua mãe.
Com a humanidade vivendo em uma era em que os negócios manuais estão sendo substituídos por trabalhos na Internet e de escritório, o fim do comércio de calçados é motivo de preocupação para Jorge Carvalho. Segundo ele, o governo deveria incentivar os jovens a se interessarem pelo artesanato tradicional para que ele possa ser preservado. “No momento, me sinto perfeitamente capaz de ensinar o ofício, mas acredito que o apoio do governo é necessário para despertar o interesse dos jovens”, diz o mestre sapateiro
.Ele também levantou uma questão que é constantemente discutida nos dias de hoje: sustentabilidade.
Autor: Cláudia Prima;

A alma do artesanato
Jorge Carvalho acredita que é extremamente importante prestar serviços de reparo para que itens com potencial não sejam descartados desnecessariamente
.“Não importa o quão baratos os itens possam ter sido — sejam sapatos, carteiras, bolsas, casacos etc. — eles não devem ser jogados fora quando precisarem ser consertados. Às vezes, é só uma questão de encontrar o profissional certo que possa dar uma nova vida aos itens, e eu estou totalmente disponível”, diz ele.
Quando perguntado sobre qual mensagem ele gostaria de transmitir aos leitores do The Portugal News, Jorge Carvalho diz: “Você pode esperar tudo de mim, porque eu dou 100%. Estou à disposição para responder a qualquer pergunta. Trabalho com muito orgulho e respeito pelos meus clientes. Essencialmente, eu realmente gosto do que faço, e isso brilha no trabalho que entrego. Faço questão de explicar e documentar cada etapa dos meus procedimentos, para que os clientes saibam exatamente tudo o que fiz.”
Embora a mídia social não existisse no início de sua carreira, o artesão optou por se adaptar ao novo mundo e agora a considera uma ferramenta essencial.
Em sua página do Instagram (@clinica .do.calcado.by.jorge), ele publica uma grande quantidade de conteúdo relacionado ao seu ofício, criando assim uma vitrine digital acessível a qualquer pessoa interessada.
Em resumo, Jorge Carvalho mostra que, em um mundo digital, moderno e acelerado, ainda existem aqueles que podem se dedicar de corpo e alma a um ofício que beneficia toda a comunidade.






