A estabilidade social nos serviços de handling dos maiores aeroportos nacionais está por um fio, depois de o concurso para a atribuição de licenças para os próximos sete anos ter resultado na vitória de um consórcio espanhol, entretanto contestado pela Menzies.
Os sindicatos têm uma reunião marcada com o Governo para esta semana, mas prometem avançar com uma greve se a incerteza sobre o futuro da empresa e dos postos de trabalho se mantiver. A começar pela greve geral de 11 de dezembro, de acordo com um relatório do Eco.
O relatório preliminar do concurso para a atribuição de licenças para os próximos sete anos nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro, divulgado a 15 de outubro, deu a pontuação máxima ao consórcio que junta as empresas espanholas Clece e South (empresa de handling do grupo Iberia). A SPdH, atual detentora da licença que opera sob a marca Menzies, empresa britânica que adquiriu 50,1% do capital da antiga Groundforce em 2024, contestou o resultado em audiência preliminar, estando ainda a decorrer a análise do júri.
Como as actuais licenças terminam na quarta-feira, 19 de novembro, o Ministério das Infra-estruturas aprovou esta sexta-feira um despacho que as prorroga por mais seis meses. Esta decisão não agradou ao Sindicato dos Trabalhadores da Aviação (SITAVA), o sindicato mais representativo da empresa, que não aceita que os trabalhadores estejam a ser "cozinhados em lume brando", sem garantias quanto aos seus postos de trabalho e direitos.
O SITAVA diz que os trabalhadores "saberão encontrar, de imediato, as melhores formas de luta". Quais? "Seguramente que passará por greves e manifestações em dezembro, possivelmente até aproveitando a greve geral", diz Fernando Henriques, diretor do sindicato, ao ECO. A decisão de avançar com um pré-aviso será tomada "no início da próxima semana".
Para o representante sindical, "é inaceitável a incerteza quanto ao futuro dos cerca de 4.000 postos de trabalho e respectivos direitos para além de dezembro". "Passou um mês desde que foi divulgado o relatório preliminar e as garantias dos trabalhadores são hoje exatamente as mesmas de então, ou seja, nulas", critica.
Rui Souto Lopes, do Sindicato dos Trabalhadores de Handling, Aviação e Aeroportos (STHAA), o segundo sindicato mais representado na SPdH, garante que o seu sindicato está "alinhado com o SITAVA na defesa dos postos de trabalho" na Menzies e que "os trabalhadores não estão dispostos a esperar mais seis meses".
O dirigente do STHAA confirma que a possibilidade de uma greve "está em cima da mesa" e sublinha que, se ocorrer no Natal ou no Ano Novo, "tem um impacto diferente", acrescentando que a última grande greve aeroportuária foi convocada pelo STHAA em 2021. Rui Souto Lopes não inclui, no entanto, a greve geral de dia 11 nesta reivindicação.
Prazo
A greve tem de ser convocada com pelo menos 10 dias de antecedência, pelo que os sindicatos querem esclarecimentos sobre o resultado do concurso até à primeira semana de dezembro. É neste contexto que está agendada para esta semana uma nova reunião no Ministério das Infra-estruturas, que poderá ser decisiva.
"Uma possível decisão em janeiro/fevereiro, que é o que pensamos que estão a tentar fazer, tiraria qualquer força aos trabalhadores, por isso não vamos deixar que a situação se arraste para além do final do ano. janeiro e fevereiro são os meses mais fracos nos aeroportos", salienta Fernando Henriques.
Rui Souto Lopes afirma que se "o resultado final do concurso [da licença de handling] for apresentado até meados de dezembro, pode não haver greve".
O dirigente do SITAVA afirma, no entanto, que a greve só será evitada se o resultado for "a continuação da SPdH" ou "se o Governo conseguir garantir por escrito que, independentemente de quem ganhar as licenças, os postos de trabalho e os direitos dos trabalhadores estão assegurados nos cinco aeroportos".
O consórcio Clece/Sul está disposto a contratar os trabalhadores da Menzies, tanto mais que não encontraria outros com a formação e a experiência necessárias, mas pode não os contratar mantendo os direitos já adquiridos na SPdH. Além disso, nem todos seriam absorvidos.
Fernando Henriques lembra que há mais de 900 trabalhadores da Menzies que trabalham no check-in e embarque, actividades não incluídas nas licenças a concurso (assistência a bagagem, assistência a carga e assistência a operações em pista), cujos postos de trabalho estarão em risco se a Clece/Sul ganhar. O mesmo se aplica aos trabalhadores do Funchal e Porto Santo.
Se perder para o consórcio espanhol, a SPdH perderá uma grande parte da sua atividade e enfrentará um novo processo de insolvência.







