A letra é poética, evocando uma sensação de pensamentos em espiral que se desenrolam sem parar, tal como as velas giratórias dos moinhos de vento. Mas talvez eu devesse dizer os Moinhos de Vento de Portugal - e, curiosamente, o interior dos moinhos de vento também era muito poeirento, criado por séculos de milho e trigo que eram moídos para os agricultores das redondezas. Por todo o país, há vestígios de uma era que já lá vai e que estão agora extintos, embora alguns ainda permaneçam e estejam a funcionar, mas mais sobre isto adiante.

Em tempos idos, entre os meses de maio e julho, quando os cereais eram colhidos, os moinhos de vento espalhados pelo país produziam farinha. Os agricultores transportavam o cereal para o moinho local em sacos às costas de burros ou em carroças puxadas por bois, e o tempo de espera para moer o cereal tornava-se por vezes um momento de convívio. Os moinhos de vento transformavam a energia do vento num movimento rotativo que accionava as pedras de moer, transformando os cereais em farinha para consumo local, sendo os moinhos de vento indispensáveis para a transformação dos cereais que sustentavam a população. Na altura, os moinhos de vento representavam um avanço tecnológico significativo, realizando o trabalho de muitas pessoas e fazendo uso eficiente da energia renovável, o vento. No seu interior, encontravam-se engrenagens, veios e mós de madeira maciça, bem como um guincho de sacos para levantar os cereais.

Moinhos de vento tradicionais portugueses

A maior parte dos moinhos de vento tradicionais portugueses, ou moinhos de vento, foram historicamente encontrados no centro e sul de Portugal, particularmente na região do Alentejo e Costa Vicentina. Para além disso, o arquipélago dos Açores e a região norte de Viana do Castelo apresentam também importantes sítios de moinhos de vento, embora o Alentejo seja reconhecido pelos seus numerosos moinhos adaptados às condições do vento e do mar.

No concelho do Distrito de Setúbal, o principal moinho a visitar é o de Santiago do Cacém, o Moinho Municipal da Quintinha, um moinho de 1813, bem conservado, situado numa colina sobranceira à vila, mantido pela autarquia local e que permite conhecer a moagem tradicional. Em dias de vento, continua a moer cereais, proporcionando uma experiência cultural aos visitantes da região.

O Moinho de Vento de Odemira é um moinho histórico do complexo dos Moinhos Juntos, com outro moinho situado nas proximidades, embora em ruínas. O moinho ainda é utilizado para moer cereais e tem uma pequena loja.

Atualmente, existem três moinhos de vento a funcionar na vila de Grândola. Embora diferentes nos pormenores, estes moinhos apresentam uma torre tronco-cónica fixa em alvenaria, dois andares com capota, mastro, velas, etc.

O Moinhode Avis, na Serra de Montejunto, é o maior moinho de vento de Portugal. Este moinho típico, com as suas panelas de barro presas às velas, situa-se mesmo por detrás do restaurante Curral do Burro, abastecendo o restaurante com farinha feita com o raro trigo da Barbela, que é depois utilizada para cozer pão fresco.

Moinho

A palavra portuguesa "moinho" vem do latim molinum, que significa moer ou esmagar cereais. Os moinhos de água apareceram pela primeira vez no século II com os romanos, que mais tarde os espalharam por Portugal. A ideia pegou e, na década de 1960, havia mais de 10.000 moinhos em funcionamento em Portugal, dos quais 7.000 eram moinhos de água e 3.000 moinhos de vento. Essenciais em todas as aldeias, os moinhos de vento em Portugal moíam milho e trigo para fazer farinha para pão e rações.

Hoje em dia, muitos foram restaurados e outros podem ser alugados como casas de férias, onde os moinhos foram carinhosamente restaurados e modernizados para se tornarem luxuosos - e invulgares - alojamentos de férias, em alguns dos quais pode admirar as magníficas vigas de madeira do telhado em forma de cone a partir do conforto da sua própria cama.

Os moinhos de água também não devem ser esquecidos, pois podem ser encontrados em todo o país, muitos dos quais foram preservados historicamente, funcionando como atracções turísticas, ou estão disponíveis para venda e remodelação. Alguns, como o de Monchique, foram convertidos em museus, enquanto outros, como o Moinho de Água de São Jorge, em Santana, Madeira, oferecem uma visão única do seu funcionamento tradicional.

Atualmente, existem mais de 100 empresas de moagem modernas em Portugal, prevendo-se que a indústria de moagem de cereais atinja 704,8 milhões de euros em 2025.