Não faço a mínima ideia de como vai correr 2026. Os blocos de notícias que surgem todos os dias são de tal forma desconcertantes que chego a sentir nostalgia de outros tempos, quando, apesar de tudo, sabíamos em que lado do mundo estávamos e quem estava do outro lado do muro. Nasci na Alemanha e ainda me recordo dos exercícios de proteção civil que simulavam ataques nucleares durante a Guerra Fria. Hoje, o cenário é outro. Uma administração do outro lado do Atlântico impõe a sua vontade acima do resto do mundo, enquanto, a leste, se iniciam guerras em território europeu e se preparam novas expansões para lá das próprias fronteiras. Tudo isto para dizer que, a meu ver, a próxima década não será dos que esperam pelo momento certo, mas dos que aceitam decidir com informação imperfeita, constroem enquanto o cenário ainda é instável e compreendem que aprender rápido vale mais do que acertar à primeira, mas tarde demais.

Vivemos um momento em que tudo muda ao mesmo tempo. Tecnologia, economia, cadeias de valor, energia, modelos de trabalho e equilíbrio geopolítico. Perante isto, a reação mais comum é adiar decisões, ganhar tempo e esperar que o contexto fique mais previsível. Mas essa estabilidade simplesmente não vai chegar. A reindustrialização da Europa, a aceleração da inteligência artificial, a transição energética e a reorganização da economia mundial já estão a acontecer, em simultâneo e a um ritmo que não abranda para quem prefere observar à distância. Este movimento cria riscos, sem dúvida, mas cria também oportunidades raras. Oportunidades que só surgem quando as regras ainda estão a ser escritas e quando quem avança primeiro aprende mais depressa e, muitas vezes, ajuda a definir o próprio cenário que se vai materializar.

Portugal, na minha opinião, não parte mal. Temos talento, estabilidade social e institucional e uma geração de empresários e gestores cada vez mais preparada. O que continua a faltar é um sistema mais simples, previsível e rápido, que não penalize quem investe, quem cresce, quem tenta ganhar escala e produtividade. Falta coragem para reformar o que precisa de ser reformado e sobra apego a zonas de conforto e a ideologias do passado que acabam por limitar o futuro das novas gerações. Mas há uma verdade que não depende de reformas nem de políticas públicas. Ficar parado não protege ninguém. Num mundo em transformação acelerada, a prudência excessiva não é sinónimo de segurança. As organizações que atravessam melhor períodos de disrupção não são as que produzem os relatórios mais sofisticados, mas as que testam mais cedo, corrigem mais depressa e aprendem continuamente. Erram mais, assumem riscos, não têm todas as respostas, mas constroem vantagens que não são replicáveis por quem chega tarde.

Não acredito que 2026 vá ser um ano fácil. Não há motivos para romantizar isso. Mas será, para mim, um ano de ação, de investimento, de transformação interna e de decisões estratégicas que não podem continuar a ser adiadas, porque são essas decisões que garantem futuro para mim e para as pessoas que trabalham comigo. O futuro não acontece sozinho. Não nos chega por acaso nem por inércia. O futuro é o resultado acumulado das decisões que tomamos ou evitamos todos os dias. Portugal pode e deve ser mais ambicioso. Esperar nunca foi uma boa estratégia de crescimento. Agir, aprender e ajustar são. E é exatamente isso que este tempo nos pede.