Nascido e criado em New Bedford, Massachusetts, Eric descreve-se como um "escritor de coração". Tendo começado com poemas, deu o salto para a escrita de canções aos 19 anos com o seu primeiro êxito "Ocean".

"Assumi o papel de produtor, onde escrevo as letras das minhas canções e depois dou vida à minha visão, recrutando músicos de todo o mundo para as juntar", disse à Central Magazine. "Todas as minhas canções são baseadas em artistas de que gosto, como Ed Sheeran, The Beatles, Bob Dylan... Começo por escrever letras que se mantêm fiéis às minhas experiências de vida e tento encontrar estes músicos diferentes que se enquadram na minha visão."

Uma discografia diversificada

Eric procura a colaboração de vários músicos que encontra online para construir as canções que quer fazer, tendo trabalhado com um vasto leque de músicos, desde o Cazaquistão à África do Sul.

"Quando faço estes projectos, oriento sobretudo a direção musical", explicou sobre o seu processo de produção. "Posso decidir acrescentar um riff de guitarra, reescrever um verso ou alterar a estrutura para se adequar a um determinado estilo."

Graças a esta diversidade de talentos musicais por detrás da sua produção, Eric acredita que há uma canção na sua discografia para qualquer pessoa. "Posso ser um camaleão musical, no sentido em que não estou preso a um só género", comentou. "Tento não me colocar numa caixa musicalmente. Se percorrerem a minha discografia, vão reparar que cada canção tem um estilo distinto. Sinto que ter essa diversidade dá às pessoas a oportunidade de se ligarem aos álbuns de alguma forma."

Esta abordagem parece ter funcionado bem, uma vez que chegou às tabelas de 35 países no iTunes, alcançando o número 1 em 10 deles. Mas o mais bem sucedido foi, de longe, a tabela portuguesa, onde alcançou sete álbuns número um, um recorde para artistas masculinos e apenas superado por Taylor Swift, que se encontra em 20.


"Por alguma razão, a minha canção "Curious" foi, diria eu, a que teve mais tração em Portugal", partilhou Eric. "É uma homenagem ao início da era dos Beatles, ao seu estilo de música - uma faixa com um som inspirado nos anos 60 e 70". Não sabe exatamente porque é que essa canção, que pensava que seria apenas um lançamento moderado, explodiu aqui, mas, de qualquer forma, a relação com Portugal é muito mais profunda do que apenas uma faixa.

Os laços são familiares e comunitários. A sua mãe nasceu em Angola, quando ainda era uma colónia portuguesa, e o seu pai vem de uma longa linhagem portuguesa. Estes dois criaram-no em New Bedford, o coração pulsante da diáspora portuguesa. "New Bedford tem uma história muito profunda com Portugal. Sinto que só de viver na cidade, estou rodeado de cultura", comentou. "Apesar de não ter crescido em Portugal, sinto que ainda faço parte da comunidade."

"Liguei-me muito às pessoas no meu país, e isso acabou por chegar a Portugal", continuou Eric. "Tenho família em Portugal que apoia os meus projectos. Muitas pessoas de Portugal enviaram-me mensagens a dizer que gostam das minhas músicas."

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Uma das suas canções, "Madeira", é baseada na Festa do Santíssimo Sacramento, que acontece todos os anos em New Bedford. "É a maior festa portuguesa fora de Portugal", explica. "A canção reflecte realmente os meus sentimentos de que New Bedford é uma fatia de Portugal aqui nos Estados Unidos. Escrevi-a nostalgicamente num dia escuro de inverno em New England. Musicalmente, inspira-se em James Taylor".


Biografia nas letras

As composições de Eric inspiram-se em momentos como estes que ele viveu ao longo dos seus 26 anos de vida. "Por vezes, posso escrever uma canção e passar semanas ou meses até começar uma nova. Todas elas abrangem momentos da minha vida que sinto que quero captar", afirmou. "Por exemplo, a minha canção "Garfunkel McWetjet" é sobre um sonho que o meu irmão partilhou comigo um dia." Uma das suas canções mais populares, "Crystal Blue", é outra homenagem a Portugal, inspirada nas famosas praias do país.

Até à data, Eric lançou quatro álbuns originais e um álbum de compilação dos seus melhores trabalhos. "Inspirei-me nos álbuns conceptuais 'Mathematics' de Ed Sheeran", revelou. "Tive a ideia de escrever o meu primeiro nome em cada um dos títulos dos álbuns. Assim, ao longo de sete anos, através de Eccentric, Ruby, Iconic e Classe Mundial, esses quatro projectos soletram o meu primeiro nome, Eric."


O seu álbum de compilação autointitulado é uma lista com curadoria das dez peças que se destacaram para ele e para os fãs ao longo da sua carreira musical até agora. Um dos seus destaques pessoais desta lista é "Power", baseado num jogo que a sua família joga. "É um jogo que o meu pai descobriu nos anos 60 ou 70 num hotel em Nova Iorque. Não o vai conseguir encontrar no Google. Para ganhar o jogo, é preciso descobrir como dar o poder a alguém de forma figurativa. O meu pai dizia: 'se tens o poder, ou pensas que tens o poder, então sai desta sala'", concluiu. "Decidi transformar essa frase numa canção. Ver a reação da minha família a ela é algo de que me orgulho".