Oliveiros Cristina, uma empresária de Loulé, veio para Portimão com a vontade de fazer negócio na cidade que viu nascer o licor Dom Cristina. No entanto, antes do licor havia outros negócios, como fábricas de moagem de café, e até fábricas de chocolate e produtos de pastelaria.

No entanto, as bebidas eram uma das suas grandes paixões, e nas suas fábricas engarrafava diferentes bebidas alcoólicas. Devido ao seu talento na gestão de fábricas, foi convidado para gerir uma fábrica, no concelho de Lagoa, na Mexilhoeira da Carregação.


Uma nova bebida

No Algarve, o emblemático licor de medronho é reconhecido por todos, bem como a sua mistura com mel, denominada Melosa. No entanto, Oliveiros Cristina apercebeu-se que misturá-lo com limão poderia criar a combinação perfeita para o que hoje é conhecido como Dom Cristina.

Na Mexilhoeira da Carregação, Oliveiros Cristina tinha a seu cargo uma fábrica de conservas, que mais tarde foi desactivada e acabou por se tornar um suporte para todos os outros negócios que tinha, como os refrigerantes, as aguardentes e os licores. No entanto, a estrela de toda a empresa era o Dom Cristina, que, na altura, era conhecido por outro nome.


Atualmente, a Dom Cristina é um produto exclusivo no mercado, não só pelos seus sabores, mas também pela forma como é produzida. A bebida é feita de forma manufacturada e envelhece nos barris que habitualmente armazenam o vinho, o que confere ao Dom Cristina um sabor único.

Mas, acima de tudo, o mel também faz a diferença no licor. Rodrigo Cristina destaca as elevadas quantidades de mel que utilizou para produzir esta bebida, o que lhe confere uma identidade que não se encontra em nenhuma outra bebida comercializada no país.

O método de envelhecimento da bebida é também uma forma de garantir que a originalidade do produto está incorporada no produto. Em vez de utilizar um método de armazenamento, Rodrigo Cristina refere que a Dom Cristina é maturada em barris de madeira.

A qualidade dos produtos utilizados na elaboração do licor é também garantida e feita apenas com produtos nacionais, como é o caso do mel, que é produzido no Algarve.

Procedimentos legais

Na década de 80, Oliveiros Cristina infelizmente faleceu, e durante 10 anos a renovação do negócio não foi formalmente solicitada pela família, o que levou à perda do nome original da bebida, agora utilizado por outra marca.

Após longos processos judiciais, a família Cristina perdeu o caso e surgiu uma nova marca, a Dom Cristina, mas o produto continua o mesmo. A decisão da família teve como objetivo homenagear a obra e a vida do avô Oliveiros Cristina, que trabalhou de forma excecional para conseguir aquilo que as pessoas já conhecem.

Referências no Algarve

O Dom Cristina já foi o licor mais comercializado no Algarve, e Rodrigo Cristina pretende voltar a sê-lo, já que o Algarve precisa de marcas de referência, na sua opinião.

Atualmente, a família está a apostar numa estratégia que visa re-ancorar a marca, começando no berço do licor, que é Portimão. Rodrigo Cristina tem consciência de que os hábitos de consumo estão a mudar e isso também faz parte da sua estratégia. No entanto, a adaptação à realidade atual é também o que torna este trabalho mais desafiante, mas sempre gratificante.

Nova estratégia

No âmbito das novas descobertas, o Dom Cristina revela-se um ótimo licor para ser utilizado em cocktails, à base de citrinos, por exemplo.

Para além das complicações legais, o Dom Cristina tem sido premiado internacionalmente no International Spirits Competition, em Londres, por exemplo. Também já esteve presente noutros eventos no estrangeiro, como em São Francisco, nos Estados Unidos, onde também foi atribuída uma medalha de ouro ao Dom Cristina.

Atualmente, a bebida é feita noutras instalações, a fábrica mudou-se para Castelo Branco, no entanto Rodrigo Cristina ainda quer regressar ao Algarve e garantir que a bebida continua a ser produzida no seu local original.

Eterna

Rodrigo Cristina, acima de tudo, quer que as pessoas conheçam a Dom Cristina e eternizem a história do seu avô. Quer que Oliveiros Cristina seja reconhecido como um empresário que continua a divulgar o nome da região algarvia, através do seu licor.