Às 12h02 - hora prevista para o lançamento, que estava inicialmente planeado para as 11h20 - ouviu-se "Ignition and liftoff", gerando aplausos no Auditório José Mariano Gago, no Pavilhão do Conhecimento - Centro Ciência Viva, onde o evento foi transmitido em direto.

Os seis satélites foram lançados da Base Aérea de Vandenberg, na Califórnia, Estados Unidos, no âmbito da Nova Agenda Espacial Portuguesa, a bordo de um foguetão Falcon 9 da SpaceX.

Quatro dos satélites - Camões, Agustina, Pessoa e Saramago, nomeados em homenagem a escritores portugueses - fazem parte da constelação Lusíada, que permitirá a criação de um serviço de navegação marítima.

Será uma espécie de "Waze para os oceanos", resumiu o CEO da LusoSpace, responsável pelo projeto.

Constelação portuguesa

De acordo com Ivo Vieira, a constelação, que terá cinco satélites em órbita após o lançamento (o primeiro - PoSAT-2 - foi lançado em janeiro de 2025), vai permitir a criação de um serviço de navegação marítima para fornecer informação em tempo real aos navios.

"Vai permitir que qualquer navio no meio do mar tenha comunicações a um preço muito acessível e, assim, podemos ter uma rede de internet marítima e criar o Waze dos oceanos, para podermos partilhar os dados que existem no mar, como alertas de piratas, meteorologia, pessoas que precisam de apoio, icebergues à deriva, derrames de petróleo e muito mais", acrescentou.

Os primeiros dados deverão estar disponíveis ao fim de três meses, mas o serviço só estará "totalmente operacional" em 2027, quando os 12 satélites que compõem a constelação estiverem em órbita.

A bordo do Falcon 9, foram também lançados dois outros satélites que fazem parte da Constelação Atlântica: um satélite SAR (Synthetic Aperture Radar) da Força Aérea e um satélite ótico (VHRLight NexGen) da responsabilidade do CEiiA e do N3O.

Os dois satélites juntam-se aos outros três já em órbita da Constelação do Atlântico, reforçando uma "capacidade de dupla utilização que servirá Portugal e a Europa", sublinhou o diretor da New Space Portugal, o consórcio que financia o conjunto das constelações através do Plano de Recuperação e Resiliência.

Recolha de dados

De acordo com Emir Sirage, os dados recolhidos através da Constelação Atlântica poderão ser utilizados para fins de defesa e segurança, mas terão também utilizações civis em áreas como a resposta a catástrofes, agricultura de precisão, monitorização ambiental, mapeamento de carbono, segurança e defesa.

O satélite SAR é o primeiro satélite da Força Aérea lançado para o espaço e, segundo o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, contribui para fomentar um "ambiente de sinergia" entre o meio académico e a indústria nacional.

O General Sérgio Pereira antecipou ainda que a Força Aérea, através do Centro de Tecnologia e Inovação Aeroespacial, vai instalar "salas limpas" para o fabrico de satélites no Depósito Geral de Material da Força Aérea, em Alverca.

Sucesso da missão

Oito minutos e 38 segundos após o lançamento, o primeiro segmento do foguetão regressou à Terra e aterrou numa plataforma marítima, tendo a missão sido considerada um sucesso, uma afirmação que gerou mais aplausos entusiásticos, enquanto o segundo segmento, que transporta os satélites, continua a sua missão a mais de 28 mil quilómetros por hora.