Durante uma audição parlamentar, a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, reconheceu que está a ser estudada uma localização alternativa para acolher o Museu Nacional do Traje, em Lisboa, que permanece encerrado desde 2024 para obras de reabilitação no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Questionado pelo partido Chega, o ministro admitiu que o edifício tem problemas estruturais muito graves que obrigaram ao encerramento de vários pisos, e que, até à data, os trabalhadores efectuaram intervenções apenas nos jardins.
Citando o Instituto Público do Património Cultural, a deputada do Chega Patrícia Carvalho afirmou que ninguém garantiu um plano de execução das obras de intervenção no museu que correspondesse ao calendário do PRR.
O Museu Nacional do Traje, que alberga cerca de 40.000 peças, foi inaugurado em 1977 no Palácio Angeja-Palmela, no Lumiar, em Lisboa.
Durante a audição parlamentar, Margarida Balseiro Lopes revelou ainda que o Museu Nacional de Arqueologia(MNA) e o Teatro Nacional de São Carlos(TNSC) necessitam de financiamento adicional para concluir as suas obras de reabilitação, uma vez que o PRR apenas permitiu intervenções parciais.
"Só com o PRR, nenhum destes equipamentos poderá abrir", afirmou a ministra, acrescentando que "será assegurado um financiamento adicional" para concluir as obras, que totalizam cerca de 27 milhões de euros para o MNA e 17,5 milhões de euros para o TNSC. De acordo com Margarida Balseiro Lopes, estes 17,5 milhões de euros para o TNSC dizem respeito à chamada "Fase 3" da obra, destinada a "intervenções nos edifícios adjacentes ao principal", nomeadamente, áreas técnicas de trabalho, "sem as quais" o espaço cultural não pode reabrir.
Esta "Fase 3" só terá início depois de concluídas as fases anteriores da reabilitação do Teatro Nacional, realizadas no âmbito do PRR, cuja data prevista de conclusão é 30 de agosto, adiantou.
O Museu Nacional de Arqueologia está encerrado desde abril de 2022 e o Teatro Nacional de São Carlos desde o verão de 2024.
De acordo com o Portal da Transparência, as obras no TNSC no âmbito do PRR tiveram um orçamento de 26,87 milhões de euros, enquanto as do MNA ascendem a cerca de 19,89 milhões de euros.
A 8 de maio, o Património Cultural, instituto público, revelou à agência Lusa que a execução das obras financiadas pelo PRR tinha registado "uma evolução muito positiva" no último ano, tendo já sido adjudicados 230 milhões de euros em contratos, o equivalente a 96% do investimento previsto.
Há um ano, a 28 de maio de 2025, Dalila Rodrigues, antecessora de Margarida Balseiro Lopes como ministra da Cultura, afirmou publicamente que as obras no MNA e no TNSC "nunca ficarão inacabadas".
"As intervenções no Teatro Nacional de São Carlos e no Museu Nacional de Arqueologia constituem imperativos nacionais que qualquer governo abraça, e continuará a abraçar, sem hesitações. Por isso, as obras nestas duas instituições nacionais, tão vitais para a nossa vida cultural, nunca ficarão incompletas", afirmou na altura Dalila Rodrigues.
O PRR é um mecanismo de financiamento à escala europeia destinado a apoiar reformas estruturais em resposta à pandemia de COVID-19.









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