Em comunicado divulgado hoje no seu site oficial, o EJC "junta-se à Comunidade Judaica de Lisboa para expressar a sua profunda preocupação relativamente ao concerto previsto de Ye(Kanye West) no Estádio Algarve", em Loulé.
"Apelamos às autoridades competentes, entidades públicas e organizadores para que cancelem este evento e tomem todas as medidas adequadas para garantir que o antissemitismo, a glorificação do nazismo e o ódio não sejam recompensados com plataformas públicas, legitimidade ou apoio", lê-se no comunicado.
Kanye West, que mudou o seu nome artístico para Ye em outubro de 2021, está atualmente numa digressão mundial que inclui várias datas na Europa, após o lançamento do seu álbum "Bully" em março.
No entanto, já foram cancelados ou adiados concertos do artista na Polónia, França, Reino Unido, Suíça e Itália.
Kanye West foi mesmo proibido de entrar no Reino Unido no início de abril devido a declarações anti-semitas, o que levou ao cancelamento do Wireless Festival, onde era cabeça de cartaz.
O CJE considera que Portugal "deve seguir o exemplo" das autoridades públicas e dos organizadores de vários países "que optaram por cancelar ou afastar-se de eventos envolvendo Ye".
De acordo com o CJE, numa altura em que o antisemitismo está a aumentar em toda a Europa e poucos dias depois de a Sinagoga de Lisboa ter sido alvo de um ato de vandalismo antisemita, permitir o concerto de Kanye West em Portugal envia uma mensagem profundamente preocupante.
Na semana passada, as autoridades locais de Arnhem, nos Países Baixos, autorizaram um concerto de Kanye West para este mês, separando a decisão de dar "luz verde" do entendimento pessoal do presidente da câmara local sobre as declarações do cantor.
O presidente da Câmara de Arnhem, Ahmed Marcouch, admitiu que a decisão pode ser difícil de aceitar, mas explicou que a lei holandesa limita a margem de manobra das autoridades municipais e que os autarcas não podem tomar decisões "baseadas apenas na desaprovação pessoal ou social" das posições do rapper.
O músico e produtor Kanye West lançou o seu primeiro álbum, "The College Dropout", em 2004.
Com "Late Registration" (2005), "Graduation" (2007) e "My Beautiful Dark Twisted Fantasy" (2011), ganhou um Grammy de Melhor Álbum de Rap, além de outros em várias categorias, como Melhor Canção de Rap, com faixas como "All of the Lights" (com Rihanna e Kid Cudi), "Good Life" (com T-Pain) e "Ni**as in Paris" (com Jay-Z).
Em 2019, lançou um álbum gospel, "Jesus is King". Posteriormente, tornou-se o centro de várias polémicas que acabaram por ensombrar a sua carreira musical.
Publicou mensagens anti-semitas nas redes sociais em várias ocasiões, pedindo mais tarde desculpa à comunidade judaica, sugeriu que a escravatura era uma escolha e disse que a vacina contra a COVID-19 era a "marca da besta".
Em janeiro deste ano, o músico e produtor publicou um comunicado no Wall Street Journal, pedindo desculpa por comportamentos de que se arrependia e que dizia terem "destruído a sua vida".
No texto, Ye lembrou ter sido diagnosticado com transtorno bipolar, o que o fez "perder o contacto com a realidade": "As coisas pioravam à medida que eu ignorava o problema. Disse e fiz coisas de que me arrependo profundamente. Algumas das pessoas que mais amo foram as que tratei pior. Elas suportaram o medo, a confusão, a humilhação e a exaustão de tentar ter alguém que, por vezes, era irreconhecível."
Ye disse que foi encorajado a procurar ajuda pela sua mulher "há alguns meses", depois de ter "batido no fundo do poço".
"Agora que encontrei um novo ponto de partida e um novo centro através de um regime eficaz de medicação, terapia, exercício e vida limpa, tenho uma clareza recém-descoberta e muito necessária. Estou a canalizar a minha energia para a arte positiva e significativa: música, vestuário, design e outras ideias novas para ajudar o mundo", declarou o músico.








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