O texto só recebeu votos a favor dos partidos que apoiam o governo (PSD-CDS-PP) e do IL.

O PS, o Livre, o PCP, o BE, o PAN e o JPP uniram-se na votação contra, a partir do banco do Chega.

Após a rejeição, houve aplausos prolongados de todas as bancadas da esquerda, bem como das galerias do hemiciclo, incluindo o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, que se mostrou visivelmente emocionado.

Após os aplausos, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, advertiu os deputados de que este tipo de situação «não é aceitável de acordo com o regulamento» e lamentou o ocorrido, uma vez que as galerias não podem manifestar-se.

O resultado da votação permaneceu em aberto até ao último momento, no meio de negociações entre o PSDB e o Chega. O grupo parlamentar liderado por Pedro Pinto chegou mesmo a solicitar uma suspensão de meia hora dos trabalhos antes do início da votação.

O líder do Chega tinha anunciado que votaria contra a proposta do Governo na sua globalidade se esta se mantivesse tal como estava, e apresentou várias exigências. Antes da votação, reuniu-se por duas vezes com o primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro, em São Bento.

André Ventura deu especial ênfase à redução da idade de reforma — chegando mesmo a exigir um compromisso por escrito do Governo —, para além da restabelecimento dos dias de férias, da proteção dos direitos das mães que amamentam, da licença para os avós cuidarem dos netos e da valorização dos trabalhadores por turnos.

A 17 de junho, durante o debate quinzenal, o primeiro-ministro manifestou a disponibilidade do Governo para enriquecer a proposta, mas sublinhou que «esta abordagem» só seria possível se a iniciativa fosse aprovada em geral, quando questionado pelo presidente do Chega.

No entanto, em resposta ao líder da Iniciativa Liberal (IL), Montenegro sinalizou que não apoia a redução da idade de reforma, tal como exigido pelo Chega.

No debate parlamentar de 18 de junho sobre a proposta do governo, Ventura chegou mesmo a afirmar que o seu partido iria «alcançar a maior vitória para os trabalhadores das últimas décadas».