«As conclusões do estudo apontam para que, embora a taxa de juro seja importante, as condições de crescimento económico do país e a oferta de habitação em construção tenham um impacto maior nos preços da habitação do que as taxas de juro a curto prazo», afirmou o professor e investigador do ISMT, Fernando Oliveira Tavares, à agência noticiosa Lusa.
A investigação tem como autores Fernando Oliveira Tavares, do ISMT e da Universidade Portucalense, Luís Pacheco e Margarita Carvalho, ambos da Universidade Portucalense, e Elisabeth T. Pereira, da Universidade de Aveiro.
O estudo «Evolução do Mercado Imobiliário em Portugal no Século XXI» analisou a evolução do mercado imobiliário em Portugal entre 2000 e 2025, com base em 100 observações trimestrais e dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), do Banco de Portugal e do Eurostat.
Segundo o investigador, as taxas de juro são importantes para o crescimento económico, mas o rendimento disponível das famílias «tem um impacto maior no crescimento dos preços da habitação».
Fernando Oliveira Tavares salientou também a escassez da oferta, referindo que a oferta de construção «diminuiu consideravelmente» e que «a reabilitação nos centros das cidades é praticamente nula», o que «tem um grande impacto em termos de crescimento dos preços da habitação».
Desde o início do século, a construção de habitações novas em Portugal diminuiu cerca de 70%, criando um défice estrutural de oferta do qual o mercado ainda não conseguiu recuperar.
A este desequilíbrio junta-se o aumento significativo dos custos de construção, que subiram mais de 40% na última década.
«A política fiscal também poderia ajudar, mas, basicamente, o que determina os preços da habitação é a baixa oferta e a elevada procura, essencialmente resultado de anos de baixa oferta em termos de construção», afirmou.
O investigador salientou ainda que «quem vem de fora para trabalhar aqui pode procurar habitação, mas, inicialmente, será sempre o mercado de arrendamento, e não o de compra».
O estudo centrou-se no mercado de compra de habitação e, nas suas conclusões finais, observou que «seria interessante analisar também o mercado de arrendamento», acrescentou.









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