Os professores da Escola Primária Internacional de Barlavento participaram na visita, explorando a zona do Cabo de São Vicente durante uma manhã com os seus alunos. Os alunos, com idades compreendidas entre os 7 e os 11 anos, observaram a paisagem natural do Cabo de São Vicente e aprenderam vários pormenores sobre a flora local. Para muitos deles, foi a primeira vez que viram plantas masculinas e femininas da espécie de corema-branca —Corema album (L.) D. Don —, uma espécie endémica da Península Ibérica, uma vez que só ocorre em Portugal e em Espanha.
Aprenderam também que as plantas fêmeas desta espécie produzem pequenos frutos brancos comestíveis, entre abril e novembro, conhecidos em português como «camarinhas». Os alunos ficaram ainda a saber como as plantas invasoras constituem uma ameaça para as espécies vegetais endémicas nas zonas costeiras. Nos questionários preenchidos após a visita, os alunos referiram ter gostado de descobrir novas plantas — como a cornisa-branca — e de sentir os seus aromas. Esta foi mais uma iniciativa organizada pelo projeto Emc2; que, ao promover uma ligação profunda dos jovens à natureza, pode desenvolver neles um sentido de pertença e um envolvimento emocional que são componentes essenciais de uma aprendizagem infantil significativa.
No mundo atual, caracterizado pelo afastamento dos jovens da natureza e pelo declínio do ensino da botânica, os sistemas educativos devem ser capazes de despertar nos jovens uma paixão pela natureza. Esta paixão incentiva-os a compreender melhor e a proteger o mundo natural, levando-os, em última análise, a agir em prol da biodiversidade — um passo crucial durante a Década das Nações Unidas para a Restauração dos Ecossistemas (2021–2030). Temos de motivar os jovens para a conservação da natureza através de projetos baseados na ação, na esperança e na cooperação.
Como exemplo dessa cooperação, o projeto Emc2 convidou, como Embaixadores da Biodiversidade (do mundo do desporto), dois praticantes de windsurf — Margarida Gil Morais e João Rodrigues. Desde julho de 2025 que têm ajudado a sensibilizar para a conservação dos ecossistemas costeiros e das suas plantas endémicas, como a corvina-branca. Este projeto irá desenvolver mais visitas de estudo no Algarve e noutras zonas costeiras do continente português, bem como em algumas ilhas dos Açores, onde a Corema album ssp. azoricum faz parte da flora local.
O futuro do ensino da botânica beneficiará da aprendizagem baseada na natureza e de uma metodologia que promova a colaboração com organizações da sociedade civil, para ajudar a desenvolver um sentido de responsabilidade coletiva pela biodiversidade.
O Projeto Emc2 é financiado por fundos nacionais concedidos pela FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P. (Portugal), através dos projetos UID/04292/2025 e UID/PRR/4292/2025 atribuídos ao MARE — Centro de Ciências Marinhas e Ambientais, e pelo projeto LA/P/0069/2020 (https://doi.org/10.54499/LA/P/0069/2020), concedido ao Laboratório Associado ARNET — Rede de Investigação Aquática.







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