Em declarações à agência noticiosa Lusa, o presidente da federação, Steven Sousa Piedade, expressou “enorme preocupação” com a situação financeira dos corpos de bombeiros, sublinhando que “o financiamento e a autonomia financeira das associações são limitados”.
Admitindo que é uma decisão difícil, ele não descartou a possibilidade de aterramento: “Se não tivermos dinheiro para abastecer os veículos, alguns terão que parar. Estamos falando de veículos pesados de combate a incêndios e ambulâncias. Como vamos decidir parar um veículo de emergência? Mas se não houver combustível, não há alternativa”, alertou.
Como exemplo, citou o caso do corpo de bombeiros Cruz Lusa em Faro, que consome em média 1.000 litros de combustível por semana, “representando um aumento mensal de cerca de dois mil euros”, com um impacto anual de €24.000.
O funcionário também criticou o apoio do governo, que fornece 360 euros por veículo pesado e €120 por veículo leve, chamando-o de “manifestamente insuficiente”.
O Governo aprovou, em 6 de abril, a alteração temporária ao regime do Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP) para estender o alívio fiscal sobre os combustíveis, cujos preços têm aumentado devido ao conflito no Oriente Médio.
“O Governo diz que os €120 correspondem a uma redução de 10 centavos por litro. Numa ambulância, esse valor se esgota em dois dias de serviço”, afirmou, apontando o exemplo de um corpo de bombeiros como o de Portimão, que realiza três a quatro transportes urgentes para Faro diariamente
.“Ficamos com 28 ou 29 dias do mês sem qualquer apoio”, argumentou.
A Federação de Bombeiros do Algarve defende, portanto, “a redução imediata do IVA e do Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP)” aplicados ao combustível usado pelos bombeiros, considerando que “só desta forma será possível garantir um alívio efetivo de custos”.
“Isso, de fato, seria uma medida visível”, enfatizou.
O oficial também alertou sobre a aproximação da alta temporada, um período marcado por um aumento significativo na atividade operacional dos bombeiros, e questionou: “Como os bombeiros podem responder sem apoio reforçado?”
Segundo ele, as medidas anunciadas pelo Governo “não servem minimamente ao propósito de auxiliar a população”, seja no atendimento pré-hospitalar de emergência, no combate a incêndios ou no transporte de pacientes não urgentes.
Steven Sousa Piedade apontou para a Espanha, onde foi adotada uma redução de 60 centavos por litro no diesel, contrastando com a redução de 10 centavos aplicada em Portugal.
“Assim, não podemos continuar cumprindo nossa missão. Se outras medidas não forem tomadas, será muito difícil manter os veículos em serviço para a população”, concluiu.







