No Algarve, o acesso aos cuidados de saúde mental continua limitado. Menos de 15 psicólogos atendem a cada 100.000 pessoas na região, ao lado de apenas 5,1 psiquiatras. Ao mesmo tempo, o distrito de Faro conta com mais de 3.000 idosos que vivem isolados em uma região marcada pelo envelhecimento demográfico e pelo elevado risco

de pobreza.

Foi dentro desse contexto que foi criado o Health Space 360º Algarve (Espão São de 360º Algarve). Lançado em 2020 pela Plataforma Saúde em Diálogo, o projeto foi projetado para abordar lacunas na alfabetização em saúde e no bem-estar entre residentes vulneráveis com 65 anos ou mais, particularmente aqueles com níveis mais baixos de educação e desvantagens socioeconômicas. “Nosso objetivo era contribuir para a alfabetização em saúde e o bem-estar da população local vulnerável”, explica o gerente sênior de projetos Ricardo Valente Santos. “O projeto visa conceder acesso a cuidados de saúde mental, principalmente em locais muito isolados e com falta de respostas sociais adequadas.â


Cuidado além das clínicas

O programa é baseado no modelo de prescrição social. Em vez de se concentrar exclusivamente no tratamento clínico, ele conecta os participantes a atividades comunitárias projetadas para melhorar a qualidade de vida geral. “As atividades do projeto são divididas em quatro eixos de intervenção”, explica Santos. Isso inclui promoção da saúde e prevenção de doenças; promoção da saúde mental; navegação e encaminhamento dentro do sistema de saúde; e gerenciamento de doenças crônicas.

Na prática, isso se traduz em workshops de nutrição, sessões de ioga adaptadas e palestras públicas sobre saúde, além de consultas individuais de psicologia, sessões de estimulação cognitiva e treinamento de competência socioemocional. Os participantes também podem receber apoio individual para navegar pelo sistema de saúde, participar de reuniões com associações de pacientes e acessar um serviço de revisão do uso de medicamentos fornecido com o apoio de

farmácias locais.

Essas atividades acontecem em mais de 30 instituições em toda a região, apoiadas por profissionais autônomos, incluindo nutricionistas e professores de educação física. O programa aceita participantes por meio de contato direto, bem como referências de profissionais de saúde e instituições parceiras, reforçando seu papel como ponte entre o apoio da comunidade e os serviços formais

de saúde.

O impacto até agora

A primeira fase do projeto durou até 2023 e envolveu 780 participantes. De acordo com a organização, todos os participantes ganharam entre 5 e 10 por cento no WHOQOL-BREF, uma escala de qualidade de vida da Organização Mundial da Saúde. “A primeira fase do projeto revelou resultados muito positivos”, observa Santos. “Os participantes que permaneceram no projeto por 24 meses ou mais revelaram melhorias nos quatro domínios da qualidade de vida definidos pela OMS.” Esses domínios incluem saúde física, bem-estar psicológico, relações sociais e meio ambiente.

Em abril de 2025, a segunda fase foi lançada sob a estrutura Portugal 2030. “Desta vez, o projeto visa continuar a promover a alfabetização em saúde e a qualidade de vida na população vulnerável do Algarve, mas com mais foco em sua saúde mental e bem-estar”, explica Santos. A fase atual apoia 583 participantes em seis municípios: Faro, Olhão, Loulão, Monchique, Tavira e São Brão

de Alportel.

Construído com base em evidências

Desde o início da jornada de cada participante, o progresso é medido usando ferramentas estruturadas. “Nossa equipe de psicólogos aplica a Escala de Bem-Estar Mental de Warwick-Edimburgo e a Pesquisa de Alfabetização em Saúde. A cada seis meses, a equipe reavalia os pacientes para monitorar de perto seu progresso e, quando necessário, adaptar o tratamento”, explica Santos. No final de cada fase, a Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA analisa os dados. “No final do projeto, a Escola Nacional de Saúde Pública trata os dados enviados pela equipe e faz um estudo de impacto para medir o verdadeiro impacto de todo o projeto”, diz ele. Além da medição formal, a equipe mantém conversas regulares com os participantes em ambientes informais para entender melhor sua experiência com o programa e seus efeitos em suas vidas diárias.

Trabalhando dentro do sistema

Os participantes podem entrar no programa por meio de contato privado por meio do site e e-mail da organização, ou por meio de referências de profissionais de saúde e instituições parceiras. O projeto mantém contato consistente com as autoridades de saúde pública, não apenas por meio de encaminhamentos, mas também por meio de suas sessões de “Sessões de Saúde em Dia”. Essas reuniões públicas visam simplificar as questões de saúde e os processos burocráticos, muitas vezes com representantes de instituições como a Unidade Local de Saúde do Algarve (ULS do Algarve) e o INFARMED, a Autoridade Nacional de Medicamentos e Produtos de Saúde de Portugal, bem como associações profissionais. “Mantemos contato consistente com as autoridades de saúde pública”, explica Santos, enfatizando o sistema de referência bidirecional entre o projeto e o sistema de saúde mais amplo. Ele descreve o programa como complementar em vez de substitutivo, projetado para fortalecer o acesso em vez de substituir os serviços existentes

.

Olhando além de 2028

A fase atual está prevista para durar até março de 2028. No entanto, a ambição se estende além dessa data. “O objetivo da Plataforma Saúde em Diálogo é continuar a se expandir e ajudar pessoas mais vulneráveis”, diz Santos. Em uma região onde os recursos especializados em saúde mental continuam escassos e o isolamento social continua afetando os residentes mais velhos, o programa estende o apoio além dos ambientes clínicos e aos espaços comunitários. Não substitui o sistema público de saúde, mas faz parte de um esforço mais amplo para ampliar o acesso aos cuidados dentro da rede de saúde existente no Algarve. Enquanto os recursos regionais de saúde mental permanecerem escassos, programas comunitários, como o Health Space 360º Algarve, continuam fornecendo apoio estruturado

nas comunidades que atendem.

Informações de contato

Ricardo Valente Santos, gerente sênior de projetos da Health Space 360 Algarve

Correio electrónico: rjusto@wlpartners.pt

Número de telefone: 351 968 941 696