Os voos de e para este aeroporto estão a servir de alternativa ao Aeroporto Simón Bolívar, em Maiquetía, o principal aeroporto do país, que se encontra atualmente encerrado devido a danos estruturais causados pelos terramotos que assolaram o país a 24 de junho.

«Vamos retomar os voos da TAP. Na próxima segunda-feira, a TAP voará para Valência, retomando um voo semanal, com o objetivo de, a longo prazo, chegar a dois voos por semana», afirmou Emídio Sousa à Lusa.

O Secretário de Estado explicou que «o regresso da TAP à Venezuela trará também cerca de sete toneladas e meia de produtos farmacêuticos disponibilizados pelo Ministério da Saúde» por parte de empresas farmacêuticas portuguesas.

«Há muitas pessoas que querem entrar no país e outras que querem sair, pelo que o regresso da TAP ao aeroporto de Valência na próxima semana é uma boa notícia para todos os que desejam viajar. Há uma série de desenvolvimentos no terreno que estamos a acompanhar, a incentivar e a ajudar a concretizar», afirmou.

Visita à Venezuela

A 8 de julho, Emídio Sousa iniciou uma visita de quatro dias à Venezuela, onde percorreu o estado de La Guaira, a região mais afetada pelos terramotos, e reuniu-se com a equipa portuguesa de busca e salvamento, responsáveis diplomáticos e membros da comunidade portuguesa local.

«Nos próximos dias, estarei em contacto com as autoridades venezuelanas para identificar as necessidades prioritárias de ajuda, discutir o futuro, analisar os esforços de reconstrução e garantir-lhes que Portugal estará sempre ao lado do povo venezuelano, tal como tem feito até agora. Para nós, a Venezuela não é um país qualquer; é uma nação irmã. Queremos envolver-nos na ajuda humanitária e no apoio ao desenvolvimento da Venezuela, incluindo o seu futuro crescimento económico, porque acreditamos que o país tem tudo o que é necessário para se tornar uma grande nação e para melhorar a qualidade de vida tanto dos venezuelanos como dos muitos portugueses que aqui vivem», afirmou.

Esta marca a segunda visita de Emídio Sousa a Caracas este ano — «esta, infelizmente», observou ele, «devido à tragédia que a Venezuela sofreu».

Emídio Sousa salientou ainda que, para além da ajuda humanitária, Portugal já disponibilizou 400 000 euros para apoiar dois projetos a serem levados a cabo pela Cáritas e pela Oikos, que visam ajudar 1 500 famílias.

Os terramotos na Venezuela

Os sismos registados na Venezuela a 24 de junho causaram, pelo menos, 3 811 mortos e 16 740 feridos, de acordo com os últimos dados oficiais.

O número de mortos inclui, pelo menos, 102 cidadãos portugueses e pessoas de ascendência portuguesa, enquanto outros 57 continuam desaparecidos ou inacessíveis.

Vários países, incluindo Portugal e outros Estados-Membros da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.

A missão portuguesa de resposta aos sismos está sediada em Catia la Mar, em La Guaira — uma zona com uma grande população de cidadãos portugueses e pessoas de ascendência portuguesa, e uma das regiões mais gravemente afetadas.

Os sismos, com magnitudes de 7,2 e 7,5, ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo entre si, e foram seguidos por mais de 1 100 réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.