Outrora vista principalmente como um destino sazonal, a região atrai agora residentes durante todo o ano, compradores de segundas residências e investidores a longo prazo, refletindo uma mudança mais ampla no mercado imobiliário do país.

O mais recente Relatório de Mercado da Engel & Völkers para 2025-2026 sugere que a região Oeste já não é vista simplesmente como um local para férias de verão. Entre Alcobaça, Caldas da Rainha, Óbidos e Peniche, quase 6 900 habitações mudaram de proprietário no ano passado — cerca de 9 % mais do que em 2024. Os agentes imobiliários afirmam estar a observar um aumento no número de pessoas que compram com a intenção de viver na região durante todo o ano, em vez de passarem apenas algumas semanas na costa.

O atrativo é fácil de compreender. Em comparação com Lisboa, os compradores conseguem frequentemente encontrar casas maiores, mais espaço exterior e um acesso mais próximo à natureza, mantendo-se ao mesmo tempo a uma distância razoável da capital. As paisagens costeiras, as cidades históricas e um ritmo de vida mais calmo tornaram-se tão importantes quanto o potencial de investimento.

Os compradores internacionais continuam a desempenhar um papel significativo no mercado. Mais de metade de todas as transações na região foram realizadas por compradores estrangeiros, nomeadamente dos Estados Unidos, da Alemanha e de França, enquanto os compradores portugueses representaram a quota restante. Os imóveis de investimento e as segundas residências representaram, em conjunto, a maioria das aquisições, embora a procura por residências permanentes também esteja a crescer.

A região está também a atrair uma nova geração de compradores. A par dos compradores familiares tradicionais, os profissionais do setor digital e os trabalhadores remotos optam cada vez mais pelo Oeste devido à sua combinação de estilo de vida, conectividade e preços comparativamente competitivos. Os preços médios de venda continuaram a subir à medida que a procura se reforça.

O setor da construção também está a responder a esta tendência. No ano passado, foram concluídas mais habitações em toda a região do Oeste, enquanto continuam a surgir novos empreendimentos imobiliários, à medida que os promotores procuram satisfazer a procura crescente.

Parte de uma mudança mais ampla

O que está a acontecer no Oeste não é um fenómeno isolado. À medida que a compra de uma casa em Lisboa se torna cada vez mais inacessível para muitas pessoas, os compradores estão a alargar a sua procura e a descobrir outras partes do país que oferecem uma melhor relação qualidade-preço sem sacrificar a conveniência. Para muitos, o Oeste consegue esse equilíbrio — suficientemente próximo da capital para se deslocarem quando necessário, mas com mais espaço, um ritmo de vida mais calmo e, em muitos casos, preços significativamente mais baixos.

Para os residentes internacionais que se mudam para Portugal, o Oeste apresenta uma combinação atrativa de praias, vilas históricas, vinhas e fácil acesso a Lisboa, sem a intensidade da vida citadina. A melhoria das infraestruturas, as oportunidades de trabalho remoto e uma gama crescente de serviços significam que muitos compradores já não vêem a capital como a sua única opção realista.

Em vez de substituir Lisboa, o Oeste está a afirmar-se como um corredor residencial complementar — onde as pessoas podem desfrutar de mais espaço e de um estilo de vida diferente, mantendo-se ligadas ao centro económico de Portugal. Se as tendências atuais se mantiverem, a região parece destinada a tornar-se um dos mercados imobiliários mais observados do país nos próximos anos.

A diferença de preços também ajuda a explicar por que razão o interesse no Oeste continua a crescer. O mais recente índice de preços da idealista revelou que as habitações no município de Lisboa atingiram uma média de cerca de 6 107 € por metro quadrado em junho de 2026. Em comparação, municípios vizinhos como Torres Vedras registaram uma média de 2 316 €/m², a Lourinhã 2 271 €/m², enquanto Alenquer se situou nos 2 193 €/m². Embora os preços nas zonas costeiras mais procuradas do Oeste estejam a subir, os compradores ainda conseguem encontrar significativamente mais espaço pelo mesmo orçamento do que na capital, o que torna a região cada vez mais atrativa para famílias, trabalhadores remotos e compradores internacionais que procuram uma melhor relação qualidade-preço.