Um único gaio pode enterrar mais de 5 000 bolotas por ano, escondendo-as como reservas alimentares. Muitas nunca são recuperadas, permitindo que novas florestas de carvalhos cresçam naturalmente. Ekō é a grafia fonética de «echo», simbolizando o impacto positivo duradouro que as ações regenerativas podem ter nas paisagens, nas comunidades e nas gerações futuras.
Géraldine, de França, e Bruno, de Portugal, conheceram-se na Tailândia durante um curso de permacultura. Mantiveram a amizade e voltaram a encontrar-se várias vezes em França. Quando Bruno regressou a Portugal após a morte do pai, convidou Géraldine para se juntar a ele.
O plano inicial era viajar por África, aprendendo com os projetos regenerativos que visitassem e contribuindo para os mesmos. Passaram quase dois anos a preparar a sua carrinha para a viagem, mas depois surgiu a Covid e a viagem acabou por não se concretizar. Em vez disso, essa energia deu forma ao que a Ekōgaio é hoje. Trabalham nas áreas da educação, consultoria e conceção e implementação de paisagens regenerativas, combinando permacultura, florestas alimentares, agrossilvicultura sintropica, gestão ecológica da água e soluções naturais para a resiliência ao fogo e ao vento.
O seu centro, perto de Tomar, está gradualmente a tomar forma como local de demonstração, centro educativo e, sujeito a aprovação, um futuro centro de interpretação da natureza.
«Estou totalmente convencido de que temos de nos envolver mais no trabalho com os municípios», afirma Bruno. «Nas cidades, sofremos com o asfalto, a falta de plantas e árvores e a perda de biodiversidade nas zonas rurais. Queremos ajudar a mudar isso.»
«Também trabalhamos com proprietários privados», diz Géraldine. «Desde a recolha de água da chuva e sistemas de águas cinzentas até projetos regenerativos em pequena escala, cada projeto é diferente. Desde que começámos a construir a nossa própria casa, temos vindo a aceitar mais projetos privados, e eu aprecio essa diversidade.»
Cada novo projeto começa com um questionário detalhado que abrange os objetivos do cliente, as características do local, a disponibilidade de água, o acesso, a vegetação existente, as restrições legais e as designações ecológicas.
«Antes mesmo de visitarmos o terreno, queremos compreender tanto a visão do cliente como o potencial ecológico do local», explica Bruno.
Uma coisa que acreditam que distingue a Ekōgaio é o facto de o seu trabalho não terminar com um projeto.
«Colocamos as mãos na terra, plantamos e voltamos», diz Bruno. «Acompanhamos os projetos ao longo do tempo, aprendemos com eles e adaptamos a nossa abordagem. O projeto regenerativo não se resume a produzir planos, trata-se de compreender como as paisagens evoluem.»
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Site: ekogaio.org
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A Ekōgaio planta mais de 10 000 árvores em terrenos municipais no Crato
No Crato, no Alentejo, a Ekōgaio plantou mais de 10 000 árvores nos últimos quatro anos, com a ajuda de voluntários de todo o mundo. O projeto teve início com um pedido de ajuda por parte dos organizadores do festival Waking Life, que corriam o risco de perder os seus terrenos devido a uma ruptura nas relações com o município.
«Passámos duas semanas a elaborar um relatório sobre o potencial da zona», diz Bruno. «Que perda demográfica tem a área vindo a sofrer? A população local continua a trabalhar? Qual é o panorama geral, o ambiente em redor? E depois apresentámos um plano à autarquia: cedam-nos 40 hectares de terreno e, em troca, criaremos um sistema educativo, em colaboração com as escolas locais e a Universidade de Évora, organizaremos almoços para estabelecer laços com a comunidade e criaremos um lago.»
Autor: Ekōgaio;
O objetivo da apresentação era beneficiar toda a região do Crato, e isso está a acontecer. O plano foi aprovado. A par do planeamento, a Ekōgaio ajudou a garantir árvores gratuitas, o município disponibilizou maquinaria e os organizadores do festival ajudaram a regenerar o terreno. Cinco casais vivem agora no terreno como guardiões, organizando atividades, e uma parte dos lucros do festival foi destinada ao projeto.
Bruno explica: «A mentalidade das pessoas era: “Vamos perder este terreno.” Mas não perdemos. É sempre preciso ir até lá e apresentar um projeto. Especialmente em locais onde o declínio demográfico está a afetar a qualidade de vida das pessoas, onde toda a gente está a envelhecer e não há gente nova a chegar para criar empregos ou alternativas. Por isso, quando o presidente de um município recebe um projeto profissional, com muitos profissionais por trás a apoiá-lo para que se concretize… Começa-se a plantar, vêem-se as crianças das escolas a chegar, vêem-se as plantas a crescer, o lago a encher-se. E depois torna-se quase impossível voltar atrás, porque toda a gente está a beneficiar. Todos podem ir até lá para dar um mergulho e fazer um piquenique.»
Sobre o Bruno e a Géraldine
Bruno Nunes
Bruno fundou a Ekōgaio em 2021. Especialista em agricultura regenerativa e restauração ecológica, formou-se entre 2011 e 2018 em oito países, tendo-se formado, entre outros, com Ernst Götsch, Darren Doherty e Rosemary Morrow. Desde 2021 que lidera projetos que abrangem cerca de 2 000 hectares sob gestão regenerativa, trabalhando com parceiros como a Universidade de Évora, o município de Crato, o ICNF e o festival Waking Life.
Géraldine Lepoittevin
Géraldine é uma designer francesa de permacultura especializada em paisagens comestíveis e ecossistemas regenerativos. Passou quase 10 anos na investigação aplicada à gestão de resíduos, tendo posteriormente gerido uma propriedade florestal de 200 hectares. Em Portugal, foi cofundadora de uma ecocomunidade e cogestora de uma quinta de permacultura, liderando projetos de recuperação do solo, gestão da água, produção alimentar e biodiversidade d
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