Luís afirma: «Ao viajar pelo mundo para estudar, trabalhar e lazer, sempre fiquei profundamente marcado pela realidade da destruição que estamos a causar ao nosso planeta. Tinha a consciência de que não queria que as coisas seguissem por este caminho, de que estamos a fazer algo insustentável e de que, se continuarmos assim, vamos acabar numa situação muito grave.» Trabalhando como engenheiro elétrico, percebeu que isso não se coadunava com os seus valores, por isso começou a aprender sobre permacultura e agrossilvicultura, e aprofundou esses conhecimentos enquanto viajava pela Ásia.

A Laura cresceu no Brasil, na região amazónica, e veio para Portugal fazer o mestrado em gestão artística. Ela diz: «Eu trabalhava em festivais e, quando comecei a trabalhar na área das artes, foi também pela vertente social, pela comunidade, por fazer algo em conjunto, por ensinar crianças. Mas depois chegou um momento em que se tornou mais uma questão de vender bilhetes do que de, de facto, fazer algo de bom pelo mundo.»

O modelo consiste num lote quadrado de 3 x 3 metros que uma pessoa pode plantar e manter. Possui um espaço interior de 2 x 2 metros onde vivem as espécies de longo prazo e um anel exterior utilizado como horta. Ao combinar técnicas que os inspiram, como a agricultura sintropica do Brasil e o método Miyawaki do Japão, chegam a um leque de possibilidades, desde uma floresta de espécies nativas deixada à sua sorte — o objetivo original do método Miyawaki — até uma floresta alimentar completa.

O nome «Biggest» deriva da ideia de uma rede descentralizada, em vez de um único local onde tudo acontece. É a soma de todas as mini-florestas alimentares espalhadas pelo território. Trabalham em vários locais em Portugal, a maioria deles no Algarve, e o movimento começou a alastrar-se a outros locais, incluindo o Equador, onde uma mulher que participou num dos seus workshops lhes pediu para ajudar a lançá-lo nesse país.

A ideia surgiu em conjunto, enquanto já estavam envolvidos em projetos de agrossilvicultura. O Luís desenvolveu o conceito do quadrado, um padrão que pudesse ser replicado por qualquer pessoa em qualquer lugar. A Laura trouxe a ideia de uma rede. Ele explica: «Senti que queria causar um impacto positivo, que pudesse envolver muitas pessoas juntas, todas a avançar na mesma direção.»

Para a Laura, o tema era a desertificação. Ela diz: «Sempre que voltamos às terras da família do Luís, em Alcoutim, vemos muitas árvores a debater-se e a morrer, por isso pensei: “Está bem, se ninguém está a fazer nada, vamos nós fazer algo.”»

Plot Zero: a primeira mini-floresta alimentar e o que mudou

O Luís cresceu perto de Alcoutim. Aos oito anos, a sua família mudou-se para Lisboa, mas ao longo da sua juventude continuou a visitar a família no campo. Foi lá que criaram a sua primeira mini-floresta alimentar.

Luís explica: «A primeira parcela que criámos não seguiu o modelo atual. Chamamos-lhe Parcela Zero, porque agora estamos a contar. Naquela altura, seguíamos a abordagem sintropica; ainda não conhecíamos o método Miyawaki. Por isso, decidimos criar uma selva de uma só vez.»

A ideia por trás destes métodos é acelerar o desenvolvimento do sistema. No caso da agricultura sintropica, isto significa muita poda, para aumentar a matéria orgânica no solo e criar mais espaço para outras espécies.

Hoje, a parcela na propriedade da família do Luís cumpriu o que esperavam. Dentro da Parcela Zero, o ar é visivelmente mais fresco e é possível enfiar a mão na terra, enquanto mesmo ao lado da floresta o solo continua duro como pedra.

Na Quinta da Fornalha, perto de Castro Marim, realizam as suas formações e têm mini-florestas alimentares em diferentes fases de desenvolvimento. Após o primeiro ano, as amoreiras e as romãzeiras já dão frutos.

Créditos: Imagem cedida; Autora: Biggest Mini Forest;

Laura afirma: «Temos parcelas espalhadas por cerca de 25 locais. Não fomos nós que criámos todas. Algumas foram criadas por nós e outras foram criadas pelas próprias pessoas depois de lhes termos dado formação.»

Oferecem formação online e presencial, consultoria e implementação. Esta última pode ocorrer de duas formas: ou constroem-na em conjunto com os proprietários dos terrenos, para que estes aprendam a fazê-lo por si próprios, ou constroem-na para uma família ou uma empresa e, posteriormente, entregam-na. A manutenção posterior também pode ser organizada.

Em breve, vão lançar um curso online e uma aplicação móvel, ambos baseados num plano de cinco passos para orientar as pessoas ao longo do processo.

A estratégia a que recorrem constantemente consiste em concentrar os recursos em vez de os dispersar, e em trabalhar gradualmente, parcela a parcela, deixando que cada parcela lhes ensine algo. As primeiras parcelas tornam-se os seus professores, a sua fonte de sementes e o seu viveiro. Mostram-lhes o que prospera nas suas condições, para que possam propagar as plantas mais bem-sucedidas.

Descubra a Biggest Mini Forest

Site: biggestminiforest.com

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Créditos: Imagem cedida; Autor: Biggest Mini Forest;

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Sobre o Luís

Luís Afonso é um engenheiro que transformou a sua paixão pela agrossilvicultura e pela regeneração de ecossistemas numa missão prática. Como cofundador da Biggest Mini Forest, desenvolveu uma abordagem simples e passo a passo que ajuda as pessoas a transformar um terreno de 3x3 metros numa mini-floresta alimentar, tornando a produção alimentar regenerativa acessível a qualquer pessoa.

Sobre a Laura

Ana Laura Cruz é comunicadora, gestora cultural e escritora de ficção, natural da Amazónia brasileira. Trocar a chuva diária pelas paisagens cada vez mais secas de Portugal mudou o seu percurso. Anos de voluntariado em projetos de agrossilvicultura transformaram-se numa carreira. Como cofundadora e diretora executiva da Biggest Mini Forest, ela aproxima as pessoas da agricultura regenerativa através de uma rede crescente de mini-florestas alimentares.