Segundo noticiou a CNN Portugal, 3 295 professores e educadores de infância reformaram-se durante o ano letivo, um número inferior às cerca de 3 700 saídas registadas no ano letivo de 2024/25.

Apesar da diminuição, o número continua a ser um dos mais elevados registados na última década e reflete o envelhecimento do corpo docente português.

Incentivo ao adiamento

O Governo tem tentado abrandar o êxodo, oferecendo aos professores que adiem a reforma um montante adicional de 750 € brutos por mês. De acordo com o Ministério da Educação, 1 514 professores tinham aderido ao incentivo até janeiro, embora os números mais recentes indiquem que o número de quem optou por adiar a reforma tenha subido para mais de 2 000.

Este incentivo faz parte do programa «+Aulas +Sucesso» do Governo, introduzido para reduzir o número de alunos que ficam sem professores durante períodos prolongados, e de medidas como o pagamento de horas extraordinárias e o apoio financeiro aos professores que têm de percorrer longas distâncias para chegar a escolas com carências de pessoal.

Os dados oficiais do Governo revelam que 3 611 professores e educadores da primeira infância se reformaram durante 2025, o que representa uma diminuição de 9,1% em relação aos 3 974 registados em 2024, facto atribuído à decisão dos profissionais de prolongar as suas carreiras através do incentivo de 750 €.

População escolar

Um estudo da Direção-Geral de Estatística da Educação e da Ciência (DGEEC) e da Nova School of Business and Economics prevê que Portugal necessitará de aproximadamente 38 000 novos professores entre 2025/26 e 2034/35, o que equivale a uma média de cerca de 3 800 novos professores por ano. A investigação estima que cerca de 122 000 professores estavam a exercer funções em 2024/25, mas prevê-se que apenas cerca de 76 000 permaneçam em atividade até 2034/35, o que representa uma redução de 37 por cento.

Esta situação é particularmente grave no terceiro ciclo do ensino básico e no ensino secundário. Só estes níveis deverão necessitar de 20 606 novos docentes ao longo do período, sendo que entre as maiores previsões contam-se 3 639 professores de Português, 2 322 professores de Matemática e 1 866 professores de Física e Química.

Estas estimativas são impressionantes porque, simultaneamente, prevê-se que Portugal tenha menos alunos — com a DGEEC a prever uma queda de 5% na população escolar até 2024/35 —, mas o número de professores deverá diminuir de forma muito mais acentuada devido às aposentações e ao envelhecimento da força de trabalho.