A proposta de valor de Portugal para captar investimento internacional está a mudar. Durante muitos anos, uma parte importante da nossa competitividade assentou em custos relativamente baixos. Hoje, cada vez mais, aquilo que procuramos oferecer ao investidor é talento, engenharia, conhecimento, tecnologia, energia, infraestruturas e capacidade de inovação.
Esta mudança não é apenas desejável. É necessária.
Portugal dificilmente poderá construir uma economia mais próspera tentando ser o país onde é mais barato produzir. Existem sempre outras geografias com salários inferiores, terrenos mais baratos, menores custos operacionais ou regras menos exigentes. Entrar permanentemente nessa competição significa aceitar que a nossa principal vantagem depende de continuarmos relativamente baratos.
E isso entra em contradição com aquilo que queremos para o país. Queremos melhores salários, empresas mais produtivas, maior qualificação, mais investimento e melhores condições de vida. Para conseguir tudo isso, Portugal precisa de competir cada vez mais pelo valor que consegue criar e não apenas pelo custo que consegue oferecer.
É precisamente por isso que a transformação das nossas exportações, sobre a qual escrevi recentemente, é tão relevante. Se uma parcela crescente daquilo que vendemos ao mundo incorpora mais tecnologia, engenharia e conhecimento, significa que estamos a começar a construir uma economia capaz de competir de outra forma.
O mesmo acontece no investimento estrangeiro. O objetivo não deveria ser simplesmente conseguir que uma empresa internacional instale uma operação em Portugal. Devemos perguntar que operação queremos atrair. Uma fábrica é importante, mas será ainda mais interessante se trouxer engenharia, investigação, fornecedores especializados, propriedade intelectual e capacidade de decisão. Um centro tecnológico será mais relevante se ajudar a formar pessoas, desenvolver conhecimento e criar novas empresas à sua volta.
Naturalmente, isto aumenta também as nossas responsabilidades. Não podemos querer competir através de talento e depois ter dificuldade em contratar engenheiros. Não podemos apresentar energia renovável e infraestruturas como vantagens e demorar anos a licenciar projetos. Não podemos querer atrair centros de decisão e manter processos administrativos imprevisíveis. E não podemos ambicionar atividades de maior valor acrescentado sem continuar a melhorar a ligação entre universidades, investigação e empresas.
A competitividade baseada em conhecimento é muito mais exigente do que a competitividade baseada em custo, porque nos obriga a melhorar continuamente. Mas oferece também uma recompensa muito maior. Atividades de maior valor acrescentado tendem a permitir maior produtividade, melhores salários, exportações mais sofisticadas e empresas capazes de competir em mercados onde o preço não é o único fator de decisão.
Portugal continua a ter custos competitivos em várias áreas e não devemos desperdiçar essa vantagem. A diferença está em perceber que isso já não pode ser o centro da nossa proposta económica.
Talvez a pergunta para os próximos anos seja bastante simples: quando uma empresa internacional compara Portugal com outros países para decidir onde colocar o seu próximo investimento, o que queremos que encontre aqui que seja difícil encontrar noutro lugar?
A resposta não pode ser apenas um preço mais baixo. Tem de ser talento, conhecimento, estabilidade, energia, infraestruturas, capacidade tecnológica e um ecossistema onde seja possível investir, crescer e inovar.
Portugal não precisa de ser o lugar mais barato para investir. Precisa de se tornar um dos lugares onde vale mais a pena investir.









Follow us on social media