Fui com alguma cautela, influenciado pelo contexto económico global e pela instabilidade geopolítica que inevitavelmente pesa nas decisões de investimento. Saí, no entanto, com uma leitura diferente. Mais positiva, mais confiante e, sobretudo, mais alinhada com o que o sector está realmente a viver no terreno.
O ambiente que encontrei não era de contenção ou de expectativas negativas. Pelo contrário, era de energia, de dinamismo e de vontade de fazer acontecer. Não houve um momento isolado que definisse a feira, mas sim um sentimento generalizado que se sentia nos corredores, nas conversas e nos projectos apresentados. O sector está ativo e, mais importante, está confiante.
Autor: Paulo Lopes;
Ao longo do dia, nas várias interações com promotores, investidores, mediadores e outros intervenientes, houve um ponto comum que se repetiu de forma consistente. Não existe atualmente qualquer expetativa de um abrandamento relevante para 2026. Pelo contrário, existe uma perceção de continuidade do ciclo, com a construção a regressar ao centro do mercado. Há um volume significativo de projectos em carteira, muitos já em construção ou conclusão, à procura de novos clientes, nacionais e internacionais.
E esta dimensão internacional continua a ser um dos principais pontos fortes do mercado português. A presença de promotores brasileiros, por exemplo, demonstra o interesse crescente da América do Sul em Portugal. Ao mesmo tempo, players ligados ao Médio Oriente, incluindo o Dubai, estiveram presentes não só como investidores, mas também como promotores que vêem Portugal como uma plataforma para a exposição dos seus projectos. Isto reforça uma ideia que já não é nova, mas que está a ganhar cada vez mais força: Portugal é hoje um ponto de convergência global no sector imobiliário.
Autor: Paulo Lopes;
Outro aspeto relevante foi a diversidade da oferta. Desde projectos premium e de elevado valor acrescentado a soluções mais orientadas para a acessibilidade e para uma nova geração de compradores. Conceitos como co-living, co-working e modelos híbridos começam a ganhar expressão, reflectindo claras mudanças na forma como as pessoas querem viver. O mercado não está apenas a crescer, está a adaptar-se.
A tecnologia também esteve muito presente, com soluções que prometem transformar a forma como o sector funciona. No entanto, o que mais se destacou foi precisamente o contrário: a importância do contacto humano. Num contexto em que tanto se fala de inteligência artificial, o SIL reforça uma realidade simples. O imobiliário continua a ser um negócio de proximidade, confiança e relação direta. As decisões podem ser apoiadas por dados, mas continuam a ser tomadas entre pessoas.
Autor: Paulo Lopes;
Eventos como o SIL têm exatamente esse papel. Criar um espaço onde o sector se encontra, onde se conversa e onde se constroem parcerias. Mais do que uma montra de projectos, é um ponto de ligação entre todos os intervenientes, desde os promotores aos investidores, passando pela banca, construção e mediação.
Houve também momentos que merecem ser destacados. A atribuição do prémio Personalidade do Ano 2026 a Reinaldo Teixeira foi um justo reconhecimento de uma carreira de décadas ligada ao imobiliário e ao turismo, e agora também ao futebol profissional como presidente da Liga Portugal. Houve quem comentasse que o sector perdeu uma figura importante para o futebol, mas a realidade é que os dois mundos estão interligados. Onde há atividade económica, há necessidade de habitação. Onde há pessoas, há imobiliário.
Autor: Paulo Lopes;
Outro ponto relevante foi a presença de projectos estruturantes que continuam a transformar o território, seja em Lisboa, no Montijo, na Comporta ou no Algarve. A procura internacional de qualidade de vida mantém-se forte e continua a ser um dos principais motores do mercado. Portugal não vende apenas imobiliário. Vende um estilo de vida, e isso continua a fazer a diferença.
Ao mesmo tempo, temas como a habitação a preços acessíveis, a sustentabilidade e os novos modelos de investimento estiveram presentes nos debates, mostrando que o sector está consciente dos desafios que enfrenta. A falta de oferta e a pressão sobre os preços continuam a ser questões centrais, mas há sinais de que há soluções a trabalhar.
No final, o que retiro desta edição do SIL é uma mensagem clara. O sector imobiliário em Portugal é mais resiliente do que o contexto possa sugerir. Há confiança, há investimento e há uma vontade evidente de continuar a crescer.
Mas esse crescimento terá de ser acompanhado de responsabilidade.
Porque mais importante do que crescer, é saber crescer bem.








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