Embora alguns dos antecessores de Leão XIV tenham reconhecido a participação dos cristãos na escravatura, esta é a primeira vez que um Papa pede publicamente desculpa pelo papel direto desempenhado pela Igreja Católica enquanto instituição e também na legitimação da escravatura.

Ao longo da história, "a Sé Apostólica Romana, a pedido dos soberanos, interveio em várias ocasiões para regular e legitimar os métodos de subjugação e, nalguns casos, de escravização dos 'infiéis'", escreveu o Papa americano na encíclica "Magnifica Humanitas", agora divulgada.

"Não podemos negar ou minimizar o atraso com que a Igreja e a sociedade condenaram o flagelo da escravatura", acrescentou.

Na sua primeira grande obra, dedicada em particular aos desafios éticos colocados pela inteligência artificial (IA), o Papa também denunciou "novas formas de escravatura" que operam por detrás da economia digital. A Igreja Católica "tolerou a escravatura durante muito tempo e só mais tarde começou a condená-la de forma absoluta", disse, acrescentando que esta é "uma ferida na memória cristã" à qual o Vaticano não pode considerar-se indiferente.

"Por isso, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão", disse Leão XIV.

"É inevitável sentir uma profunda tristeza ao considerar o enorme sofrimento e humilhação que a escravatura representou para tantas pessoas, infinitamente amadas pelo Senhor, em contraste com a sua dignidade ilimitada", observou o Papa.