Mas existe uma grande diferença entre ter potencial e conseguir transformar esse potencial em empresas que competem nos mercados mais exigentes do mundo. A TEKEVER é hoje um dos melhores exemplos dessa transformação e da capacidade que Portugal tem para criar tecnologia de classe mundial.

A mais recente notícia da empresa chega do Canadá, onde a sua tecnologia irá apoiar operações de deteção e monitorização de incêndios florestais na província de Alberta. À primeira vista pode parecer apenas mais um contrato internacional. Na realidade, representa algo muito maior. Demonstra que uma empresa nascida em Portugal consegue posicionar-se em setores críticos onde a inovação, os dados em tempo real e a inteligência artificial fazem a diferença entre antecipar um problema ou reagir demasiado tarde.

O sistema desenvolvido pela TEKEVER combina aeronaves autónomas de longa duração, sensores avançados e plataformas de análise de informação que permitem monitorizar grandes áreas e fornecer informação crítica para a tomada de decisão. Num contexto em que os incêndios florestais se tornaram um desafio crescente em várias partes do mundo, esta capacidade ganha uma importância estratégica evidente.

Mas a história da TEKEVER vai muito além da proteção civil. Nos últimos anos a empresa tem consolidado a sua presença internacional em áreas como a defesa, a segurança marítima, a vigilância de fronteiras e a monitorização de infraestruturas críticas. Aquilo que começou como uma empresa tecnológica portuguesa é hoje uma referência internacional num setor onde poucos países conseguem desenvolver soluções próprias com elevado grau de sofisticação.

Na minha opinião, este é precisamente o tipo de sucesso que merece mais atenção em Portugal. Muitas vezes discutimos o futuro da economia portuguesa olhando apenas para setores tradicionais ou para problemas conjunturais. Entretanto, empresas como a TEKEVER mostram que o país já é capaz de competir em áreas que estarão no centro da economia global nas próximas décadas. Inteligência artificial, sistemas autónomos, defesa tecnológica, recolha e tratamento de dados e monitorização inteligente são mercados em crescimento acelerado e de elevado valor acrescentado.

O impacto deste tipo de empresas não se mede apenas em faturação ou exportações. Mede-se também na capacidade de atrair talento, gerar conhecimento, criar emprego qualificado e posicionar Portugal como um país capaz de desenvolver tecnologia avançada para responder a desafios globais.

Acompanhar o percurso da TEKEVER ao longo dos últimos anos é perceber que Portugal pode produzir muito mais do que bons profissionais para empresas estrangeiras. Pode criar as suas próprias empresas tecnológicas globais. E quando uma tecnologia desenvolvida em Portugal ajuda a proteger comunidades e infraestruturas do outro lado do Atlântico, fica claro que esse futuro já começou.