A Grécia tem um historial de incêndios florestais devastadores. Em 2018, um incêndio a leste de Atenas causou mais de 100 vítimas, enquanto um incêndio de grandes proporções em 2023 estabeleceu o recorde do maior incêndio florestal de sempre registado na Europa. O mais recente grande incêndio florestal deflagrou na tarde deste domingo, 5 de julho, a oeste de Atenas. De acordo com o jornal The Guardian, foram mobilizados 210 bombeiros, apoiados por equipas especializadas e 29 aeronaves, para extinguir o incêndio.
A crise contínua do país no combate aos incêndios florestais levou à inovação, sendo a Grécia agora a primeira nação do mundo a integrar uma rede de satélites no seu sistema nacional de combate a incêndios. Os satélites, cada um deles mais pequeno do que uma mala de mão, estão a monitorizar os incêndios a partir do espaço e foram lançados para órbita baixa em maio, de acordo com a Associated Press.
Dados de satélite em tempo real com IA
Os satélites tradicionais só conseguem detetar incêndios de grande dimensão, ao passo que estes novos satélites, construídos pela empresa alemã OroraTech, estão equipados com sensores térmicos concebidos para sinalizar novos focos de incêndio com apenas quatro metros de diâmetro. Se ocorrer um incêndio, será enviado às autoridades nacionais um alerta com dados de satélite processados por IA, indicando a localização, a dimensão e a intensidade do incêndio. Quando ocorrem vários incêndios em simultâneo, os dados em tempo real são cruciais para preparar a resposta adequada.
A coronel dos Bombeiros Zisoula Ntasiou, vice-presidente da Associação Internacional de Serviços de Bombeiros e Salvamento, afirmou à Associated Press: «Por exemplo, se houver 10 incêndios por toda a Grécia e a potência radiativa do fogo for menor em alguns casos, não se dará prioridade a esses focos; dar-se-á prioridade a outros.»
«A temperatura global está a subir. Isso faz com que os incêndios mudem em termos de intensidade e ferocidade», afirmou Ioannis Lantouris, diretor das operações da OroraTech na Grécia, à Associated Press. «Os nossos modelos têm de mudar e adaptar-se a isso. Têm de ser mais rápidos. Têm de ser mais precisos.»
Uma rede de observação mais ampla
Embora vários países utilizem satélites térmicos, a Grécia é o primeiro país a integrá-los plenamente no seu sistema de combate a incêndios. Em colaboração com três empresas europeias, a Grécia está a construir uma rede de observação mais ampla que combina satélites térmicos, satélites de radar capazes de ver através das nuvens e do fumo e satélites óticos que captam imagens altamente detalhadas do solo. A rede é financiada pela UE, com um custo de 200 milhões de euros.
Os líderes de toda a Europa planeiam utilizar redes semelhantes para além da deteção de incêndios, com o sistema a poder ser alargado para incluir a vigilância de fronteiras, a gestão de culturas, a resposta a catástrofes e o planeamento em caso de ondas de calor.
«Estas tecnologias apoiam a proteção civil, a segurança e, quando necessário, aplicações relacionadas com a defesa», afirmou Dimitris Papastergiou, ministro da Governação Digital da Grécia, numa entrevista no seu gabinete em Atenas.
A UE planeia aumentar o financiamento para os programas gregos com mais 350 milhões de euros. As autoridades afirmam que o objetivo é ir além das imagens de satélite como ferramenta passiva e desenvolver sistemas que ajudem os governos a gerir crises à medida que estas se desenrolam em tempo real.







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