Acho que estão a fazer a pergunta errada.
A verdadeira oportunidade não consiste simplesmente em investir nas empresas que passam os cheques. Consiste em investir nos negócios que irão beneficiar do facto de esses cheques estarem a ser passados. É essa a diferença entre seguir as notícias e seguir o capital.
A história mostra que cada grande onda de investimento cria um ecossistema à sua volta.
Os caminhos-de-ferro deram origem às empresas siderúrgicas.
A Internet criou gigantes da logística.
Os veículos elétricos aceleraram a procura por lítio, cobre e infraestruturas de carregamento.
A tecnologia não cresce isoladamente — cria camadas inteiramente novas de atividade económica.
Portugal está a entrar numa fase de crescimento totalmente nova.
Com a previsão de que milhares de milhões de dólares fluam para infraestruturas de IA, conectividade digital, cabos submarinos e centros de dados nos próximos anos, a história de investimento do país está a tornar-se muito mais abrangente do que apenas a tecnologia. Estes projetos requerem empresas de construção, energias renováveis, talentos de engenharia, serviços públicos, cibersegurança, redes de transportes, habitação, serviços profissionais e inúmeras empresas locais que apoiam uma força de trabalho em rápida expansão.
É aqui que, na minha opinião, muitos investidores olham para o sítio errado.
As manchetes centram-se na inteligência artificial.
Eu olho para as empresas que apoiam a inteligência artificial.
Essa filosofia de investimento tem orientado grande parte do meu pensamento sobre Portugal ao longo dos últimos anos. Em vez de perseguir a oportunidade óbvia, prefiro fazer uma pergunta diferente: quem beneficia com a existência desta tendência?
O setor hoteleiro é um exemplo perfeito. Os grandes projetos tecnológicos não trazem apenas servidores e software — trazem engenheiros, executivos, consultores, fornecedores e parceiros internacionais. Precisam de hotéis, apartamentos com serviços, restaurantes, transportes, espaços para reuniões e serviços locais. O investimento em tecnologia cria uma procura que vai muito além do próprio setor tecnológico.
O mesmo se pode dizer das energias renováveis, do imobiliário comercial, da logística e das infraestruturas. À medida que um setor cresce, fortalece muitos outros à sua volta. Estes efeitos de segunda e terceira ordem tornam-se frequentemente algumas das oportunidades de investimento mais duradouras, porque são sustentados por uma atividade económica a longo prazo, em vez de pelo sentimento do mercado a curto prazo.
Portugal já se consolidou como um dos destinos mais atrativos da Europa para o turismo, o empreendedorismo e o investimento direto estrangeiro. Se o país se tornar também um centro de referência para infraestruturas de IA e investimento digital, isso não substituirá esses pontos fortes já existentes — irá amplificá-los.
É por isso que continuo a acreditar que a história de investimento de Portugal está a tornar-se cada vez mais multissetorial. O turismo, a hotelaria, as infraestruturas, a tecnologia, as energias renováveis, a logística e as empresas operacionais já não são temas separados. Estão a tornar-se parte da mesma narrativa de crescimento a longo prazo.
As maiores oportunidades raramente se situam no centro da história.
Na maioria das vezes, encontram-se um passo «a jusante».









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