A decisão foi tomada pelo Tribunal Central Administrativo do Sul (TCAS), após um recurso judicial apresentado por quatro associações ambientais.
Em nota enviada à agência de notícias Lusa, o Grupo de Estudos de Planeamento Territorial e Ambiente (GEOTA), uma das associações ambientais envolvidas no processo, explicou que o TCAS concordou com elas e “revogou a decisão” do Tribunal Administrativo e Fiscal de Castelo Branco (TAFCB) que suspendeu a providência cautelar, para que a suspensão provisória da obra “fosse retomada”.
Também contactado pela Lusa, Hélder Careto, do GEOTA, disse que, após essa decisão do TCAS, tem informações de que “nenhuma obra está em andamento” e também expressou satisfação com a “decisão provisória” do tribunal.
“O que importa neste momento é chegar a uma decisão definitiva sobre a declaração de nulidade da Declaração de Impacto Ambiental (EIA)”, acrescentou.
Em comunicado também enviado à Lusa, a Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA), responsável pela construção da Barragem do Pisão, confirmou que as obras foram suspensas novamente na sequência da decisão do TCAS.
“Na prática, o tribunal determinou a devolução do caso ao tribunal de primeira instância [TAFCB], que reativa a suspensão da Declaração de Impacto Ambiental e exige que a obra seja interrompida”, diz o documento.
A CIMAA explicou que o tribunal “decidiu exclusivamente” sobre uma questão processual, nomeadamente sobre “a forma correta” que as associações ambientais “deveriam ter usado” para apresentar o seu pedido em tribunal.
“A decisão não avalia, julga ou emite qualquer opinião sobre a qualidade técnica, ambiental ou legal da barragem de Pisão”, ressaltou a comunidade intermunicipal.
A CIMAA enfatizou que os méritos do projeto, sua bondade, sua legalidade e sua importância para o Alto Alentejo não foram “sujeitos a análise” nem foram questionados.
Os juízes, continuou, “não disseram que o projeto está errado”, mas disseram que o processo “tem um erro estereotipado” e que, por causa desse fato, “precisava seguir um caminho diferente” nos tribunais.
“O processo agora retorna ao TAFCCB, onde continuará sendo avaliado, com todas as garantias processuais asseguradas para todas as partes”, diz o comunicado.
A CIMAA acrescentou ainda que, apesar de ser uma decisão de “natureza exclusivamente processual”, tem “consequências imediatas e concretas” para o projeto.
Para a CIMAA, este passo é “mais uma parada forçada e dolorosa” para as populações que esperam “com esperança justificada” que este projeto avance.
“Sabemos que por trás dessa espera estão famílias que dependem de água potável, agricultores que veem seus campos secando cada vez mais, jovens que precisam de emprego para permanecer em suas terras”, argumentou.









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