São setores fundamentais para a região e continuarão a ser durante muitos anos. Mas existe um Algarve muito menos conhecido que começa lentamente a ganhar espaço e que, na minha opinião, pode ser um dos maiores motores económicos da região na próxima década. Falo do talento.

Ao longo dos últimos anos tenho conhecido vários projetos tecnológicos nascidos no Algarve, muitos deles ligados à Universidade do Algarve e ao ecossistema de inovação criado em torno do CRIA. O que muitas vezes faltava não era conhecimento nem capacidade técnica. Era alguém disposto a acreditar nessas ideias quando ainda estavam a dar os primeiros passos. É precisamente aqui que iniciativas como a Sotavento Invest merecem destaque.

Conheço o trabalho do Mark Haaksman e do Wouter Heijnen há algum tempo e aquilo que mais me impressiona não é apenas o investimento financeiro que estão a realizar. É a visão que existe por detrás deste projeto. Ambos escolheram o Algarve para viver há vários anos e decidiram que a melhor forma de retribuir à região que os acolheu seria ajudar a criar empresas capazes de crescer a partir daqui para o mundo. Essa diferença é enorme.

Credits: Supplied Image; Author: Paulo Lopes;

Não estamos apenas perante investidores. Estamos perante empreendedores experientes que colocam ao serviço dos fundadores o seu conhecimento, rede de contactos e experiência internacional. O capital é importante, mas muitas vezes o verdadeiro valor está na capacidade de orientar uma startup durante os momentos mais difíceis da sua evolução.

Os primeiros investimentos da Sotavento Invest mostram precisamente essa visão. A Grand Carob transformou um produto tradicional do Algarve numa marca inovadora de alimentação saudável com potencial internacional. A expressTEC está a desenvolver soluções de inteligência artificial e diagnóstico molecular capazes de revolucionar a medicina personalizada. São áreas completamente distintas, mas com algo em comum: nasceram no Algarve e demonstram que a inovação não tem obrigatoriamente de acontecer apenas em Lisboa ou no Porto.

Também considero particularmente interessante a ligação criada com a Universidade do Algarve através do CRIA. Durante anos discutimos a necessidade de aproximar universidades e empresas. Aqui vemos esse modelo a funcionar de forma prática. A universidade gera conhecimento, os empreendedores desenvolvem as ideias e investidores privados ajudam a transformá-las em empresas com capacidade para competir no mercado.

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Na minha opinião, este é exatamente o tipo de investimento que Portugal precisa de multiplicar. Não apenas porque financia startups, mas porque cria um verdadeiro ecossistema onde talento, experiência e capital trabalham em conjunto.

Durante demasiado tempo o Algarve foi visto apenas como um destino turístico.

Talvez tenha chegado o momento de começarmos a vê-lo também como um território onde nascem empresas inovadoras, tecnologia e conhecimento.

E quando pessoas como o Mark Haaksman, o Wouter Heijnen e toda a equipa da Sotavento Invest decidem investir no talento local em vez de procurarem apenas oportunidades mais fáceis, estão também a investir no futuro da região.

Na minha opinião, esse poderá ser um dos legados mais importantes que investidores internacionais podem deixar a Portugal. Não apenas trazer capital, mas ajudar a criar uma nova geração de empresas algarvias capazes de competir no mercado global.